Ponte interditada na BR-235 força travessia por balsa entre Pedro Afonso e Tupirama e acende alerta logístico no Tocantins
Interdição preventiva determinada pelo DNIT altera rotina de moradores, caminhoneiros e produtores; Governo do Tocantins autoriza operação emergencial no Rio Tocantins
A interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235/TO, entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, transformou a rotina da região e obrigou o Governo do Tocantins a autorizar uma operação emergencial de travessia por balsa para garantir mobilidade, transporte de passageiros e abastecimento local.
A medida foi tomada após o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes identificar agravamento estrutural na ponte localizada no km 163,89 da BR-235/TO, incluindo fissuras, novas trincas e sinais de subsidência na estrutura.
Inicialmente, o DNIT havia restringido a circulação de veículos pesados acima de quatro toneladas. Depois, houve flexibilização temporária para veículos de até 12 toneladas. No entanto, uma nova inspeção levou à decisão de bloqueio total da travessia por segurança.
Governo autoriza balsa emergencial
Diante do risco estrutural e do impacto sobre a população, o governo estadual determinou medidas emergenciais para manter a ligação entre os municípios.
A autorização para funcionamento temporário de balsas no Rio Tocantins busca garantir circulação de:
- moradores;
- ambulâncias;
- transporte escolar;
- caminhões de abastecimento;
- cargas essenciais;
- produtores rurais;
- trabalhadores da região.
Segundo informações divulgadas pelo governo estadual, a operação emergencial foi autorizada após reuniões envolvendo órgãos estaduais, Defesa Civil e DNIT.
Ponte é estratégica para o norte e centro do Estado
A ponte da BR-235 possui papel estratégico para o escoamento da produção agrícola e para a ligação entre municípios da região centro-norte do Tocantins.
A rodovia integra o corredor logístico do MATOPIBA — região que reúne áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — considerado um dos principais polos de expansão do agronegócio brasileiro.
Além do transporte de cargas, a estrutura também é fundamental para deslocamento diário de trabalhadores, estudantes, pacientes e comerciantes.
Comércio e produtores já sentem impacto
Com a interdição, comerciantes e caminhoneiros passaram a enfrentar aumento de tempo de viagem, custos adicionais e preocupação com abastecimento.
Produtores rurais da região relatam apreensão principalmente por causa do transporte de grãos, combustíveis, insumos e mercadorias.
A interrupção da ponte também afeta diretamente o fluxo econômico entre Pedro Afonso, Tupirama, Bom Jesus do Tocantins e cidades vizinhas.
Segurança virou prioridade após tragédia recente
A decisão do DNIT ocorre poucos meses após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek, entre Tocantins e Maranhão, em dezembro de 2024, tragédia que matou pessoas e ampliou a pressão nacional sobre fiscalização de estruturas rodoviárias.
Nos bastidores técnicos, existe preocupação crescente com estruturas antigas ou que apresentam sinais de desgaste em rodovias federais estratégicas.
Por isso, o DNIT afirma que a medida na BR-235 possui caráter preventivo para evitar risco de colapso estrutural.
Laudo técnico deve definir próximos passos
Até o momento, não existe prazo oficial para reabertura da ponte.
O DNIT realiza novas análises técnicas para avaliar a extensão dos danos e definir se a estrutura passará por reforço, recuperação parcial ou intervenção mais ampla.
Enquanto isso, motoristas precisam utilizar desvios rodoviários ou recorrer à travessia por balsa autorizada emergencialmente pelo governo estadual.
Região vive clima de incerteza
A situação transformou a ponte da BR-235 em um dos principais pontos de preocupação logística do Tocantins nesta semana.
Além da mobilidade, a crise envolve abastecimento, transporte escolar, fluxo econômico e segurança viária em uma região fortemente dependente da rodovia.
Para moradores e trabalhadores locais, a principal preocupação agora é saber quanto tempo a travessia improvisada por balsa precisará substituir uma das conexões mais importantes da região.