Lula prepara conversa direta com senadores para tentar aprovar Jorge Messias no STF; Parlamentares do TO estão na lista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma rodada de conversas diretas com senadores para tentar reconstruir a articulação em torno do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A estratégia passa por um movimento mais pessoal, no estilo “te a te”, com parlamentares considerados decisivos em uma eventual nova votação no Senado.
No Tocantins, os três senadores entram no radar político do Palácio do Planalto: Eduardo Gomes, do PL, 1º vice-presidente do Senado; Professora Dorinha, do União Brasil; e Irajá, do PSD. Em uma votação secreta e de alto peso institucional, cada voto conta. Por isso, a bancada tocantinense passa a ser observada com atenção por Brasília.
A possível conversa direta de Lula com os senadores tocantinenses ocorre em um ambiente político nacional tensionado. De um lado, o governo busca reorganizar sua base para aprovar um nome ligado ao núcleo jurídico do Planalto. De outro, a direita tenta se manter mobilizada em torno de Flávio Bolsonaro, que aparece competitivo no Tocantins em levantamentos eleitorais.
Pesquisa Real Time Big Data divulgada pela CNN Brasil em 25 de março de 2026 mostrou Lula e Flávio Bolsonaro empatados tecnicamente em cenários de 1º turno no Tocantins. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 23 e 24 de março, por meio de entrevistas presenciais, com margem de erro de 2 pontos percentuais e registro no TSE sob o protocolo BR-00664/2026.
Esse dado ajuda a explicar por que o Tocantins passou a ser visto com mais cuidado no tabuleiro nacional. No Estado, Flávio Bolsonaro surge como nome forte da direita, enquanto Lula ainda busca manter pontes com senadores de diferentes campos políticos, inclusive aqueles que não fazem parte da base orgânica do governo.
A indicação de Jorge Messias ao STF já enfrentou resistência no Senado. Para ser aprovado, um indicado ao Supremo precisa de pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. Em abril, Messias foi rejeitado pelo plenário por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, o que tornou qualquer nova movimentação dependente de articulação mais ampla e cuidadosa.
A leitura de bastidores é que Lula não pretende deixar a negociação apenas nas mãos de ministros e líderes partidários. A tendência é que o presidente tente medir pessoalmente o grau de resistência ao nome de Messias, chamando senadores para conversas reservadas no Palácio do Planalto e também buscando articulações políticas em São Paulo, onde lideranças partidárias e operadores nacionais acompanham de perto o cenário de 2026.
Para o cientista político Hesaú Rômulo, doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília e professor de Teoria Política na Universidade Federal do Norte do Tocantins, a movimentação de Lula em torno dos senadores tocantinenses precisa ser lida em duas frentes: a votação de Jorge Messias no STF e o desenho eleitoral de 2026.
“A conversa direta de Lula com senadores tende a ter peso político maior do que uma articulação feita apenas por ministros ou líderes partidários. No caso do Tocantins, esse movimento ganha ainda mais importância porque o Estado tem três senadores com relevância nacional e um ambiente eleitoral onde a direita aparece competitiva”, avalia o especialista.
Segundo a análise, Eduardo Gomes, Professora Dorinha e Irajá entram no radar não apenas pelo voto em uma eventual indicação ao Supremo, mas também pelo peso que cada um tem na construção de palanques, alianças e sinalizações políticas para 2026.
O professor César Alessandro Sagrillo Figueiredo, cientista político da Universidade Federal do Norte do Tocantins, também pode ser ouvido pelo Diário Tocantinense para avaliar o impacto da articulação nacional no Estado. A leitura de especialistas é que a definição do PT no Tocantins dificilmente será apenas local, devendo passar pelo Palácio do Planalto, pela direção nacional do partido e por articulações políticas em São Paulo.
Eduardo Gomes é uma das peças mais sensíveis dessa equação. Além de pertencer ao PL, partido de Flávio Bolsonaro, ele ocupa a 1ª vice-presidência do Senado e tem trânsito em diferentes campos políticos. Uma conversa direta entre Lula e Gomes teria peso institucional e simbólico, justamente por envolver um senador da oposição com posição estratégica na Mesa Diretora.
Professora Dorinha também aparece como nome importante. Senadora pelo União Brasil e pré-candidata ao Governo do Tocantins, ela representa um campo de centro que pode dialogar com diferentes forças nacionais. Para o Planalto, qualquer movimento envolvendo Dorinha precisa considerar não apenas o Senado, mas também a disputa estadual de 2026.
Irajá, do PSD, completa o trio. O partido tem papel nacional relevante e costuma atuar de forma pragmática em votações importantes. Por isso, o voto de Irajá também pode ser tratado pelo governo como parte de uma engenharia política mais ampla.
No Tocantins, o PT acompanha esse movimento com cautela. O partido ainda aguarda definições que devem passar pelo presidente nacional da legenda, Edinho Silva, pelo Palácio do Planalto e por articulações feitas em São Paulo. A sigla local vive um dilema: há setores que enxergam Laurez Moreira como caminho natural, outros observam Vicentinho Júnior com atenção, e uma ala menor defende aproximação com Professora Dorinha.
Apesar disso, o foco maior da direção nacional tende a estar nos nomes que possam garantir palanque competitivo para Lula e, ao mesmo tempo, não isolem o PT no Tocantins. A presença de Flávio Bolsonaro bem posicionado nas pesquisas no Estado aumenta a pressão sobre o partido, que precisa decidir se terá candidatura própria, composição pragmática ou apoio estratégico a um nome com maior capacidade de agregar forças contra a direita.
Na prática, a conversa de Lula com os senadores sobre Jorge Messias e a disputa presidencial de 2026 se cruzam no mesmo tabuleiro. O Senado é o palco institucional imediato. O Tocantins, por sua vez, aparece como território político onde a direita mostra força e onde o PT ainda busca definir o melhor caminho.
Para o Diário Tocantinense, o cenário revela uma disputa em duas frentes: em Brasília, Lula tenta reconstruir votos para aprovar Jorge Messias no STF; no Tocantins, o crescimento de Flávio Bolsonaro como nome competitivo da direita pressiona o PT a decidir com quem caminhar em 2026.