Operação de guerra: Trump confirma voo secreto e diz que ameaça do Irã mudou plano de segurança

Operação de guerra: Trump confirma voo secreto e diz que ameaça do Irã mudou plano de segurança
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 12 de agosto de 2026 0

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que deixou secretamente a Turquia em uma aeronave militar após uma mudança extraordinária no esquema de segurança provocada por uma ameaça atribuída ao Irã. A operação ocorreu em 8 de julho, depois da cúpula da Otan em Ancara, mas permaneceu sob sigilo por semanas até ser revelada pelo jornal The Washington Post.

O plano montado para proteger o presidente teve características de uma verdadeira operação de guerra. Trump chegou a embarcar diante das câmeras no Air Force One, dando a impressão de que retornaria normalmente na aeronave presidencial. Pouco depois, porém, foi retirado discretamente do avião e transportado em um veículo utilizado no serviço de alimentação do aeroporto até outra aeronave.

Enquanto Trump seguia em um avião militar menor, o Air Force One decolou sem o presidente e transportou integrantes do governo, funcionários, equipes de segurança e jornalistas. Na prática, a aeronave presidencial funcionou como um despiste durante parte da operação.

Segundo o The Washington Post, a decisão foi tomada diante de uma ameaça considerada crível ligada ao Irã. A Casa Branca não havia informado publicamente sobre a troca de aeronaves e, naquele momento, chegou a divulgar que Trump estava viajando no Air Force One entre a Turquia e o Reino Unido.

Nesta terça-feira, 11 de agosto, Trump confirmou o episódio e afirmou que apenas seguiu as orientações do Serviço Secreto e dos militares. “Eu simplesmente sigo o que eles querem fazer. Então sigo o Serviço Secreto e os militares”, declarou o presidente ao comentar a mudança de última hora no plano de voo.

Trump afirmou ainda que foi informado sobre a existência de uma ameaça, mas disse não ter buscado muitos detalhes. Segundo ele, ameaças fazem parte de sua rotina. O presidente também declarou não ter ficado assustado com a situação.

O norte-americano surpreendeu ao dizer que acredita que a aeronave alternativa na qual viajou poderia ter enfrentado risco ainda maior. “Acho que, na verdade, o avião em que voei corria um risco maior”, afirmou. Na avaliação de Trump, aquele poderia acabar se tornando o alvo mais provável caso os responsáveis pela ameaça descobrissem a mudança.

A revelação também abriu questionamentos nos Estados Unidos sobre o risco enfrentado pelas pessoas que permaneceram no Air Force One enquanto o presidente seguia secretamente em outro avião. A Associated Press destacou que funcionários da Casa Branca, equipes de apoio, segurança e jornalistas estavam na aeronave utilizada como despiste.

Operações secretas envolvendo presidentes norte-americanos já ocorreram anteriormente, principalmente em viagens para regiões de guerra. A diferença apontada por especialistas ouvidos pela imprensa americana é que, neste episódio, não apenas a localização de Trump foi mantida em segredo durante a viagem, como a verdadeira operação permaneceu sem divulgação pública por várias semanas.

O caso ganhou ainda mais peso diante do aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã. A Reuters informou que a viagem aconteceu em um período de escalada das hostilidades e justamente na primeira viagem internacional realizada com a aeronave reformada e doada pelo Catar, cuja segurança já vinha sendo alvo de questionamentos.

A confirmação de Trump transforma o que inicialmente era uma revelação do The Washington Post em um dos episódios mais incomuns envolvendo a segurança presidencial norte-americana nos últimos anos: mudança secreta de aeronave, transporte escondido pelo aeroporto, avião presidencial usado como despiste e uma ameaça iraniana capaz de modificar toda a logística de viagem do presidente dos Estados Unidos.

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