Bárbara Andrade cobra proteção 365 dias por ano e alerta: campanhas não bastam para impedir violência e salvar vidas no Tocantins
Bárbara Andrade defende políticas permanentes de proteção às mulheres e grupos vulneráveis e cobra prevenção, fiscalização e integração da rede no Tocantins.
Em um período marcado pela passagem do Agosto Lilás para campanhas como Setembro Amarelo e Setembro Verde, a candidata a deputada estadual Bárbara Andrade, do PRD, colocou no centro do debate das Eleições 2026 uma pergunta incômoda: o que acontece quando as campanhas terminam, mas o risco continua?
Para a advogada, campanhas de conscientização são importantes para ampliar informação e mobilizar a sociedade, mas precisam funcionar como porta de entrada para políticas públicas permanentes — e não como ponto final da atuação do Estado.
A avaliação de Bárbara alcança temas como violência contra a mulher, saúde mental, proteção de crianças, pessoas com deficiência e atendimento a grupos em situação de vulnerabilidade.
A candidata sustenta que prevenção, fiscalização, assistência social, saúde, segurança pública e acesso à Justiça precisam funcionar de maneira integrada durante os 365 dias do ano.
Violência contra a mulher exige atuação antes da tragédia
Um dos principais pontos levantados por Bárbara é a necessidade de o poder público identificar situações de risco antes que ameaças, perseguições e agressões evoluam para episódios extremos.
Para ela, avanços na legislação são importantes, mas precisam vir acompanhados de estrutura capaz de transformar a proteção prevista no papel em resposta efetiva na vida real.
O alerta encontra respaldo em números recentes levantados pelo próprio Diário Tocantinense. Dados da Secretaria da Segurança Pública analisados pelo DT mostraram que as tentativas de feminicídio cresceram 50% no Tocantins no primeiro semestre de 2026, passando de 22 ocorrências no mesmo período de 2025 para 33 neste ano.
Veja o levantamento exclusivo do DT sobre a alta das tentativas de feminicídio no Tocantins
Esse cenário reforça uma das teses defendidas por Bárbara: conscientização sem capacidade operacional permanente pode não ser suficiente para interromper ciclos de violência.
A candidata chama atenção especialmente para situações envolvendo ameaças anteriores, perseguição e descumprimento de medidas protetivas.
Na avaliação dela, a concessão da medida judicial não deveria encerrar o acompanhamento da mulher. A proteção precisa continuar, especialmente quando existem sinais concretos de que o agressor não pretende obedecer às determinações da Justiça.
Interior do Tocantins enfrenta obstáculos diferentes
Outro ponto apresentado por Bárbara Andrade é a diferença entre a estrutura disponível nas maiores cidades e aquela encontrada por mulheres que vivem em pequenos municípios, comunidades rurais ou regiões afastadas.
Distância, falta de transporte, dependência econômica, ausência de atendimento especializado e dificuldade para acessar delegacias, assistência jurídica e serviços sociais podem tornar a busca por proteção ainda mais difícil.
Por isso, segundo a candidata, uma política estadual precisa considerar as diferentes realidades dos 139 municípios do Tocantins.
A discussão também envolve integração de dados e comunicação entre segurança pública, saúde, assistência social, Ministério Público, Defensoria, Judiciário e demais órgãos que integram a rede de proteção.
Bárbara defende que a vítima não pode ser obrigada a percorrer sucessivos órgãos públicos, repetindo diversas vezes uma experiência traumática, enquanto cada setor trabalha de maneira isolada.
Pessoas com deficiência também precisam estar dentro da rede
A candidata estende a discussão às pessoas com deficiência e afirma que inclusão deve alcançar também os mecanismos de proteção.
Isso significa, entre outras medidas, canais de denúncia acessíveis, atendimento preparado para diferentes necessidades e profissionais capacitados para permitir que a pessoa com deficiência seja ouvida com autonomia e segurança.
O tema ganha força durante o Setembro Verde, mas, na avaliação apresentada por Bárbara, também precisa ser tratado como política permanente.
Assembleia precisa fiscalizar orçamento e resultados
Bárbara Andrade afirma ainda que, caso eleita deputada estadual, pretende levar para a Assembleia Legislativa uma atuação voltada não apenas à apresentação de projetos, mas ao acompanhamento dos resultados das políticas existentes.
Entre os pontos que podem ser fiscalizados estão estrutura disponível nos municípios, quantidade de vítimas atendidas, descumprimentos de medidas protetivas, tempo de resposta das forças de segurança, execução do orçamento e alcance efetivo dos programas públicos.
A candidata sustenta que o papel de um deputado estadual envolve fiscalizar o Executivo e cobrar indicadores que permitam saber se uma política pública existe apenas formalmente ou se realmente alcança quem precisa.
Do calendário para uma política de Estado
O debate lançado por Bárbara Andrade chega ao cenário eleitoral tocantinense em um momento no qual violência contra a mulher, saúde mental, inclusão e proteção social aparecem com frequência nas campanhas de conscientização.
A proposta apresentada por ela é deslocar a discussão das cores de cada mês para uma política contínua de prevenção.
O Agosto Lilás termina. O Setembro Amarelo e o Setembro Verde também terminarão. As situações de violência, sofrimento e vulnerabilidade, porém, não obedecem ao calendário.
É justamente nesse intervalo entre uma campanha e outra que, para Bárbara, o Tocantins precisa mostrar se possui uma rede pública capaz de prevenir, acompanhar, fiscalizar e agir antes que novos casos terminem em tragédia.
A discussão se soma ao debate eleitoral de 2026 e coloca políticas para mulheres, proteção social, segurança pública, saúde mental, inclusão das pessoas com deficiência, fiscalização do orçamento e fortalecimento dos municípios entre os temas que devem chegar à próxima composição da Assembleia Legislativa do Tocantins.