Senado em MS: PL pode conquistar as duas vagas com Contar e Azambuja; veja as pesquisas

Senado em MS: PL pode conquistar as duas vagas com Contar e Azambuja; veja as pesquisas
Contar e Azambuja lideram a disputa pelas duas vagas do Senado em MS. Veja os números das pesquisas, a evolução da campanha e os cenários para domingo.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 14

Ex-adversários na eleição de 2022 chegam à reta final como favoritos pelo mesmo partido; levantamentos de outubro mostram vantagem sobre Soraya Thronicke e Vander Loubet, enquanto a indefinição do segundo voto mantém espaço para mudanças

A disputa pelo Senado em Mato Grosso do Sul chega à véspera das Eleições 2026 com uma possibilidade que representa uma mudança na configuração política do estado: o Partido Liberal (PL) poderá conquistar simultaneamente as duas cadeiras em renovação. O ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar lideram os levantamentos da reta final, enquanto a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o deputado federal Vander Loubet (PT) tentam reduzir a diferença.

A pesquisa Novo Ibrape/Campo Grande News, divulgada neste sábado (3), apresenta Azambuja com 34,8% dos votos válidos estimados e Contar com 31,7%. Soraya aparece com 12,8%, seguida por Vander, com 12%.

O levantamento IPR/Correio do Estado, publicado na sexta-feira (2), aponta uma configuração semelhante: Azambuja registra 35,35%, Contar alcança 31,19%, Soraya aparece com 12,95% e Vander tem 11,25%, também considerando apenas as intenções de voto válidas.

Os resultados colocam os dois candidatos do PL em vantagem, mas não representam uma definição antecipada das cadeiras. Parte do eleitorado ainda não havia consolidado as duas escolhas nas pesquisas realizadas durante a última semana de campanha.

Além dos números, a eleição apresenta uma particularidade política. Em 2022, Capitão Contar disputou o governo estadual contra Eduardo Riedel, candidato do grupo de Reinaldo Azambuja. Quatro anos depois, os antigos adversários integram o mesmo campo político, e Contar divide com Azambuja a chapa do PL para o Senado.

A aproximação ocorreu em um cenário de reorganização das forças conservadoras de Mato Grosso do Sul, acompanhado pela desistência de Nelsinho Trad (PSD) de disputar a reeleição como titular.

O resultado das urnas deste domingo (4) determinará se o estado terá duas cadeiras ocupadas pelo mesmo partido ou se as candidaturas adversárias conseguirão alterar o cenário apresentado nas pesquisas.

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Pesquisa divulgada neste sábado confirma vantagem do PL

O levantamento Novo Ibrape, contratado pelo Campo Grande News, ouviu mil eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro. A margem de erro informada é de 3,1 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Na pesquisa estimulada, que apresenta previamente os nomes dos candidatos, Azambuja registra 28,6%, seguido por Contar, com 26,1%.

Soraya aparece com 10,5% e Vander alcança 9,8%.

Veja os resultados:

Candidato Pesquisa estimulada Votos válidos estimados
Reinaldo Azambuja (PL) 28,6% 34,8%
Capitão Contar (PL) 26,1% 31,7%
Soraya Thronicke (PSB) 10,5% 12,8%
Vander Loubet (PT) 9,8% 12,0%
Roberto Oshiro (Novo) 2,1% 2,6%
Beto do Movimento (PSOL) 1,8% 2,2%

Os percentuais de votos válidos foram calculados a partir das intenções declaradas para candidatos, excluídas as respostas de indecisos, brancos e nulos. Não são projeções de votos efetivamente depositados nas urnas.

No resultado estimado de votos válidos, a diferença entre Contar, segundo colocado, e Soraya, terceira, alcança 18,9 pontos percentuais.

O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número MS-09931/2026.

Confira a pesquisa Novo Ibrape divulgada em 3 de outubro.

Outro instituto também aponta Azambuja e Contar nas primeiras posições

A pesquisa IPR/Correio do Estado, divulgada em 2 de outubro, confirma a vantagem dos candidatos do PL.

Azambuja registra 35,35% das intenções de voto válidas, enquanto Contar apresenta 31,19%.

Soraya tem 12,95%, seguida por Vander, com 11,25%.

O estudo entrevistou 784 pessoas, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro eleitoral é MS-08995/2026.

A diferença entre Azambuja e Contar permanece dentro da margem de erro. A liderança numérica do ex-governador, portanto, não configura uma vantagem estatisticamente segura sobre o companheiro de partido.

Entretanto, os dois apresentam distância expressiva em relação aos demais concorrentes.

Consulte o levantamento IPR/Correio do Estado.

Contar cresceu oito pontos na Quaest e alcançou Azambuja

A evolução da pesquisa Quaest, encomendada pela TV Morena, permite observar como a campanha modificou a posição dos principais candidatos.

Em agosto, Reinaldo Azambuja liderava com 22%, enquanto Capitão Contar registrava 15%. A diferença era de sete pontos percentuais.

Na segunda rodada, divulgada em 25 de setembro, Contar alcançou 23% e passou numericamente à frente de Azambuja, que permaneceu com 22%.

A mudança ocorreu dentro da margem de erro de três pontos percentuais, mantendo os candidatos tecnicamente empatados.

Veja a comparação:

Candidato Agosto Setembro Variação
Capitão Contar 15% 23% +8 p.p.
Reinaldo Azambuja 22% 22% 0
Soraya Thronicke 11% 10% -1 p.p.
Vander Loubet 9% 8% -1 p.p.

Contar apresentou o maior crescimento numérico entre os quatro candidatos considerados.

Soraya e Vander oscilaram dentro da margem de erro, sem movimento que permitisse afirmar uma mudança estatisticamente significativa em suas posições.

A rodada de setembro ouviu 804 pessoas e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MS-09580/2026.

De adversários em 2022 a candidatos do mesmo partido em 2026

A aproximação entre Azambuja e Contar representa uma das principais mudanças políticas da eleição estadual.

Em 2022, Contar disputou o governo de Mato Grosso do Sul pelo PRTB e terminou o primeiro turno na liderança, com 384.275 votos, equivalentes a 26,71% dos votos válidos.

Eduardo Riedel, então candidato do PSDB e apoiado pelo grupo político de Azambuja, ficou em segundo lugar, com 361.981 votos, ou 25,16%.

Os dois avançaram ao segundo turno, vencido por Riedel.

Na eleição atual, a configuração é diferente. Contar e Azambuja concorrem ao Senado pelo PL, enquanto Riedel disputa a reeleição ao governo pelo PP.

A nova composição reúne a estrutura política do ex-governador, a candidatura de continuidade de Riedel e a base eleitoral conservadora que havia apoiado Contar quatro anos antes.

A convergência também explica a possibilidade de o PL conquistar as duas cadeiras em renovação, em vez de concentrar seus esforços em uma única candidatura.

Os resultados da Quaest indicam que os dois nomes chegaram competitivos ao período final da campanha, embora com trajetórias diferentes: Azambuja apresentou estabilidade, enquanto Contar ampliou numericamente sua participação nas intenções de voto.

Relembre o resultado oficial do primeiro turno de 2022, divulgado pelo TSE.

Desistência de Nelsinho Trad alterou a configuração da eleição

Outro movimento ocorreu antes do início oficial da campanha.

O senador Nelsinho Trad, eleito em 2018, desistiu de buscar a reeleição como titular e passou a integrar a chapa de Reinaldo Azambuja como primeiro suplente.

A decisão retirou da disputa direta um nome com mandato, trajetória política própria e presença na estrutura partidária estadual.

Também fortaleceu a composição articulada em torno da candidatura do ex-governador.

Com a mudança, uma das duas cadeiras de Mato Grosso do Sul terá obrigatoriamente um novo titular a partir de 2027.

A outra pertence atualmente a Soraya Thronicke, que decidiu disputar a reeleição.

A escolha de Nelsinho possui consequências institucionais. Caso Azambuja seja eleito e, durante o mandato, precise se afastar nas hipóteses previstas pela legislação, o primeiro suplente poderá assumir temporária ou definitivamente a cadeira.

O Diário Tocantinense já havia identificado a mudança de composição no levantamento nacional sobre a renovação do Senado publicado em agosto.

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O primeiro e o segundo votos apresentam diferenças importantes

A liderança de Contar ou Azambuja varia conforme a ordem da preferência informada pelos entrevistados.

No Novo Ibrape divulgado neste sábado, Contar lidera a primeira escolha com 35,1%, enquanto Azambuja registra 29,3%.

Na segunda opção, ocorre o movimento inverso. Azambuja alcança 27,9%, contra 17,1% de Contar.

Candidato Primeiro voto Segundo voto
Capitão Contar 35,1% 17,1%
Reinaldo Azambuja 29,3% 27,9%
Soraya Thronicke 10,2% 10,8%
Vander Loubet 10,3% 9,3%

Os números revelam que Contar concentra uma parcela maior de sua preferência na primeira escolha, enquanto Azambuja apresenta desempenho mais equilibrado nas duas perguntas.

Entretanto, não é possível afirmar apenas com esses dados quantos entrevistados escolheram simultaneamente os dois candidatos do PL. Para essa conclusão, seria necessário um cruzamento individual das respostas.

A diferença também não significa que existam duas eleições independentes.

Os votos recebidos por cada candidato serão somados, independentemente da ordem em que forem registrados na urna eletrônica.

A indefinição do segundo voto ainda representa uma variável

Apesar da vantagem apresentada pelos candidatos do PL, os levantamentos mostram que nem todos os eleitores haviam definido suas duas escolhas.

Na pesquisa Novo Ibrape divulgada em 29 de setembro, 20,3% dos entrevistados ainda não haviam decidido o segundo voto para senador, mesmo depois da apresentação da lista de candidatos.

Na primeira escolha, os indecisos representavam 8,4%.

O resultado demonstra que a decisão por um candidato não significa necessariamente a definição do outro.

Na pesquisa espontânea daquele levantamento, em que os nomes não foram apresentados aos entrevistados, 72,3% não souberam ou não responderam.

Esses números medem situações diferentes: a capacidade de lembrar espontaneamente uma candidatura e a preferência manifestada depois da apresentação dos concorrentes.

O percentual de indefinição do segundo voto explica por que as campanhas mantiveram esforços de mobilização durante a reta final.

O levantamento de 29 de setembro foi registrado sob o número MS-01465/2026.

Confira os dados sobre a indefinição do segundo voto.

Soraya tenta conquistar a reeleição em cenário adverso

Eleita em 2018, Soraya Thronicke chegou ao Senado pelo PSL, partido que, naquele momento, abrigava Jair Bolsonaro.

Na eleição atual, concorre pelo PSB, em uma configuração partidária diferente daquela que marcou sua primeira vitória.

A candidatura apresenta como principal argumento a experiência acumulada durante o mandato, mas enfrenta uma distância expressiva em relação aos dois candidatos do PL nos levantamentos da reta final.

Na Quaest de setembro, Soraya registrou 10% das intenções de voto, contra 23% de Contar e 22% de Azambuja.

No Novo Ibrape deste sábado, aparece com 12,8% dos votos válidos estimados.

O resultado coloca a senadora numericamente na terceira posição, mas ainda distante da segunda cadeira.

Outro obstáculo é a rejeição.

Na pesquisa Quaest de setembro, Soraya registrou 38% no indicador de entrevistados que afirmaram conhecê-la e não votar nela, o maior percentual entre os principais concorrentes.

O dado não permite antecipar o comportamento individual dos eleitores, mas representa uma dificuldade adicional para a ampliação de sua candidatura.

Vander Loubet aposta na experiência parlamentar e no eleitorado do PT

Deputado federal com trajetória na política de Mato Grosso do Sul, Vander Loubet é o candidato do PT ao Senado.

Sua candidatura integra o projeto político que lançou Fábio Trad para disputar o governo estadual.

Durante a campanha, o petista procurou apresentar a experiência parlamentar e a relação com o governo federal como argumentos para ampliar a representação do campo progressista no Senado.

Entretanto, os levantamentos da reta final mostram dificuldade para aproximá-lo dos candidatos do PL.

Na Quaest, Vander passou de 9% em agosto para 8% em setembro.

No Novo Ibrape divulgado neste sábado, registrou 12% dos votos válidos estimados, resultado próximo ao de Soraya.

A disputa entre ambos também envolve parte do eleitorado contrário às candidaturas do PL. Entretanto, os percentuais consolidados não permitem afirmar que a migração de votos entre os dois seria suficiente para modificar a ordem apresentada pelos institutos.

A pesquisa Quaest registrou rejeição de 37% para Vander, também entre os maiores índices dos principais concorrentes.

A situação demonstra o desafio enfrentado pelo PT para converter sua presença política e parlamentar em competitividade na disputa majoritária pelo Senado.

Os demais candidatos e a composição da disputa

Além dos quatro nomes com maiores intenções de voto, outros seis candidatos participam da eleição em Mato Grosso do Sul.

São eles: Roberto Oshiro (Novo), Beto do Movimento (PSOL), Valter da Comagran (PRD), Luiz Lemes (DC), Daniel Junior (Agir) e Valderi Garcia (PCO).

Nenhum aparece próximo dos dois candidatos mais bem posicionados nos levantamentos da reta final.

A relação completa, com partidos, números de urna e suplentes, está disponível na página oficial de candidatos da Agência Senado.

Mato Grosso do Sul renovará duas cadeiras do Senado

Nas eleições de 2018, Nelsinho Trad e Soraya Thronicke conquistaram as duas vagas disponíveis no estado.

Nelsinho foi eleito com 424.085 votos, equivalentes a 19,29% dos votos válidos. Soraya recebeu 373.712 votos, ou 17%.

A terceira cadeira pertence a Tereza Cristina (PP), eleita em 2022 com 829.149 votos, correspondentes a 60,94% dos votos válidos daquela eleição.

Seu mandato permanece até 2031 e não está em disputa neste domingo.

A partir de 2027, a bancada sul-mato-grossense terá pelo menos um novo titular, em razão da decisão de Nelsinho de não disputar a reeleição para a cadeira que ocupa atualmente.

Veja a série histórica das eleições para o Senado em Mato Grosso do Sul, organizada pela Agência Senado.

Quem chega favorito ao Senado em Mato Grosso do Sul?

A análise conjunta da Quaest, do IPR e das duas rodadas mais recentes do Novo Ibrape aponta Reinaldo Azambuja e Capitão Contar como os candidatos em melhores condições de conquistar as vagas em disputa.

Os dois apresentam vantagem numérica sobre Soraya Thronicke e Vander Loubet, além de manterem desempenho competitivo tanto na primeira quanto na segunda escolha.

A trajetória da campanha também ajuda a compreender a configuração atual.

Azambuja chegou à eleição com experiência administrativa, estrutura política e apoio de lideranças vinculadas ao atual governo estadual. Contar ampliou sua intenção de voto durante setembro e passou a dividir a liderança com o ex-governador.

A candidatura conjunta reuniu dois grupos que estiveram em campos adversários em 2022, em um movimento que ampliou a competitividade do PL na disputa pelo Legislativo federal.

Soraya e Vander permanecem como os principais concorrentes fora dessa composição, mas chegam à véspera com distância expressiva nos levantamentos mais recentes.

O cenário, portanto, apresenta favoritismo dos dois candidatos do PL para a conquista das cadeiras. A indefinição do segundo voto, entretanto, impede tratar o resultado como matematicamente assegurado.

Se as intenções registradas nas pesquisas forem confirmadas nas urnas, Mato Grosso do Sul poderá começar a legislatura de 2027 com duas das três cadeiras do Senado ocupadas pelo PL e a terceira mantida por Tereza Cristina, do PP.

A definição ocorrerá após a totalização oficial dos votos deste domingo (4). Diferentemente da eleição para governador, não existe segundo turno para o Senado: os dois candidatos mais votados serão eleitos para mandatos de oito anos.

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