Senado em SP vira disputa voto a voto: quatro candidatos separados por três pontos brigam por duas vagas
Nova pesquisa Quaest coloca Derrite com 25%, André do Prado com 23% e Marina Silva e Simone Tebet com 22% cada; desistência de Ricardo Salles reorganizou a direita, enquanto campo de Haddad tenta eleger duas mulheres
A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado chega à véspera das Eleições 2026, neste sábado (3), sem favoritos isolados e com quatro candidaturas separadas por apenas três pontos percentuais. A pesquisa Quaest divulgada nesta tarde apresenta Guilherme Derrite (PP) com 25% dos votos válidos estimados, André do Prado (PL) com 23% e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) com 22% cada. Todos estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais.
O resultado coloca o maior colégio eleitoral do país diante de uma disputa com consequências para a composição do Congresso Nacional. De um lado, Derrite e André representam a articulação construída pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com apoio de setores ligados à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Do outro, Marina e Simone integram a chapa apoiada por Fernando Haddad (PT) e pelo presidente Lula.
A eleição ganhou uma nova configuração em 28 de setembro, quando o deputado federal Ricardo Salles (Novo) desistiu de concorrer ao Senado e anunciou apoio aos dois candidatos vinculados ao governador paulista. A decisão retirou uma candidatura que disputava parte do eleitorado conservador e representou uma tentativa de concentrar as duas escolhas desse segmento em Derrite e André.
A movimentação ocorreu quando os quatro principais nomes já apareciam próximos nas pesquisas. No Datafolha de 1º de outubro, Marina registrou 16%, André e Simone tiveram 15% cada e Derrite apareceu com 14%, todos dentro da margem de erro.
A proximidade entre os candidatos também revela uma característica da eleição de 2026: cada paulista poderá escolher dois senadores, e ambos os votos serão somados para definir os vencedores. Não existe segundo turno para o cargo.
Portanto, a disputa não se resume à definição do primeiro colocado. A composição final dependerá da distribuição das duas escolhas e da capacidade de mobilização das candidaturas nas últimas horas antes da votação.
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Quaest da véspera coloca quatro candidatos em empate técnico
A pesquisa Quaest, encomendada pela TV Globo e divulgada às 17h55 deste sábado, entrevistou presencialmente 3.702 eleitores paulistas com 16 anos ou mais entre 2 e 3 de outubro.
O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro SP-04726/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na distribuição dos votos válidos estimados, os resultados foram:
| Candidato | Votos válidos |
|---|---|
| Guilherme Derrite (PP) | 25% |
| André do Prado (PL) | 23% |
| Marina Silva (Rede) | 22% |
| Simone Tebet (PSB) | 22% |
| Guto Schiavetto (Missão) | 2% |
| Demais candidatos | 1% ou menos cada |
A diferença entre Derrite e Marina ou Simone é de apenas três pontos percentuais.
André, segundo colocado numericamente, está somente um ponto à frente das duas candidatas.
O resultado não permite identificar com segurança estatística quais serão os dois eleitos. A proximidade entre os percentuais faz com que uma alteração na distribuição dos votos possa modificar a composição das cadeiras.
Os percentuais correspondem às duas escolhas consolidadas pelo instituto, excluindo brancos, nulos e indecisos. Não representam apuração oficial nem uma previsão individual do voto de cada entrevistado.
Confira a pesquisa Quaest de 3 de outubro para o Senado paulista.
GRÁFICO — SENADO EM SÃO PAULO
Inserir neste ponto o gráfico da pesquisa Quaest de 3 de outubro, disponibilizado junto à reportagem.
Legenda: Pesquisa Quaest apresenta Guilherme Derrite com 25%, André do Prado com 23% e Marina Silva e Simone Tebet com 22% dos votos válidos estimados (Gráfico: Diário Tocantinense/Dados: Quaest/TV Globo).
Datafolha apresenta Marina na liderança, enquanto Real Time favorece Derrite
Os levantamentos anteriores à pesquisa divulgada neste sábado reforçam a indefinição sobre a distribuição das duas vagas.
No Datafolha publicado em 1º de outubro, Marina Silva apareceu numericamente à frente, com 16%. André do Prado e Simone Tebet registraram 15% cada, enquanto Guilherme Derrite alcançou 14%.
A diferença entre o primeiro e o quarto colocado foi de dois pontos percentuais.
Já a Real Time Big Data, divulgada em 29 de setembro, apresentou outra configuração: Derrite liderou com 22%, André registrou 20%, Simone alcançou 18% e Marina apareceu com 15%.
A Quaest de 29 de setembro também havia identificado Derrite numericamente à frente, com 18%, seguido por Marina e Simone, com 15% cada, e André, com 12%.
Veja a comparação:
| Candidato | Datafolha 1º/10 | Quaest 29/9 | Real Time 29/9 |
|---|---|---|---|
| Guilherme Derrite | 14% | 18% | 22% |
| André do Prado | 15% | 12% | 20% |
| Marina Silva | 16% | 15% | 15% |
| Simone Tebet | 15% | 15% | 18% |
Os três levantamentos possuem margem de erro de dois pontos percentuais, mas utilizam períodos de coleta e metodologias próprias.
Não é correto reunir seus percentuais em uma única curva de evolução ou calcular uma média simples para estabelecer quem estaria eleito.
A convergência está na presença dos mesmos quatro nomes nas primeiras posições.
Veja o Datafolha de 1º de outubro.
Como Derrite e André cresceram durante setembro
A comparação das rodadas da Quaest realizadas com metodologia equivalente permite observar a movimentação das principais candidaturas durante a campanha.
Em 8 de setembro, Marina e Derrite apareciam numericamente empatados, com 14%. Simone registrava 12%, enquanto André tinha 7%.
Na rodada de 23 de setembro, Derrite alcançou 16%. Marina passou para 13%, Simone permaneceu com 12% e André registrou 8%.
Em 29 de setembro, a distribuição mudou novamente.
| Candidato | 8/9 | 23/9 | 29/9 |
|---|---|---|---|
| Guilherme Derrite | 14% | 16% | 18% |
| Marina Silva | 14% | 13% | 15% |
| Simone Tebet | 12% | 12% | 15% |
| André do Prado | 7% | 8% | 12% |
Derrite apresentou crescimento numérico de quatro pontos percentuais entre a primeira e a terceira rodada. André avançou cinco pontos, enquanto Marina e Simone apresentaram variações menores.
A pesquisa final deste sábado mostra os quatro candidatos novamente próximos, agora na estimativa de votos válidos. Como a base de cálculo é diferente, não é metodologicamente correto afirmar que Derrite cresceu diretamente de 18% para 25% ou André de 12% para 23%.
O movimento da campanha, entretanto, demonstra que a chapa apoiada por Tarcísio conseguiu ampliar sua participação numérica nos levantamentos de setembro.
Desistência de Ricardo Salles foi uma das principais mudanças da campanha
O episódio de maior repercussão na reta final ocorreu em 28 de setembro, quando Ricardo Salles anunciou sua desistência da disputa pelo Senado.
A decisão foi comunicada ao lado do governador Tarcísio de Freitas, de Guilherme Derrite e de André do Prado.
O ex-ministro do Meio Ambiente, que concorria pelo Novo, passou a apoiar os dois candidatos da chapa governista.
A movimentação teve importância porque Salles disputava uma parcela do eleitorado conservador que também poderia escolher Derrite ou André.
No Datafolha divulgado em 24 de setembro, o candidato do Novo aparecia com 4%. Na Quaest de 29 de setembro, registrava 3%.
A retirada não significa que esses percentuais tenham sido automaticamente transferidos aos candidatos apoiados por ele. Apenas pesquisas específicas de migração individual poderiam comprovar esse comportamento.
Politicamente, entretanto, a decisão estabeleceu uma estratégia de concentração das duas escolhas do eleitorado alinhado ao grupo de Tarcísio.
Outra particularidade exige atenção: o nome, a fotografia