Senado em SP vira disputa voto a voto: quatro candidatos separados por três pontos brigam por duas vagas

Senado em SP vira disputa voto a voto: quatro candidatos separados por três pontos brigam por duas vagas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 3

Nova pesquisa Quaest coloca Derrite com 25%, André do Prado com 23% e Marina Silva e Simone Tebet com 22% cada; desistência de Ricardo Salles reorganizou a direita, enquanto campo de Haddad tenta eleger duas mulheres

A disputa pelas duas vagas de São Paulo no Senado chega à véspera das Eleições 2026, neste sábado (3), sem favoritos isolados e com quatro candidaturas separadas por apenas três pontos percentuais. A pesquisa Quaest divulgada nesta tarde apresenta Guilherme Derrite (PP) com 25% dos votos válidos estimados, André do Prado (PL) com 23% e Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) com 22% cada. Todos estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais.

O resultado coloca o maior colégio eleitoral do país diante de uma disputa com consequências para a composição do Congresso Nacional. De um lado, Derrite e André representam a articulação construída pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), com apoio de setores ligados à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Do outro, Marina e Simone integram a chapa apoiada por Fernando Haddad (PT) e pelo presidente Lula.

A eleição ganhou uma nova configuração em 28 de setembro, quando o deputado federal Ricardo Salles (Novo) desistiu de concorrer ao Senado e anunciou apoio aos dois candidatos vinculados ao governador paulista. A decisão retirou uma candidatura que disputava parte do eleitorado conservador e representou uma tentativa de concentrar as duas escolhas desse segmento em Derrite e André.

A movimentação ocorreu quando os quatro principais nomes já apareciam próximos nas pesquisas. No Datafolha de 1º de outubro, Marina registrou 16%, André e Simone tiveram 15% cada e Derrite apareceu com 14%, todos dentro da margem de erro.

A proximidade entre os candidatos também revela uma característica da eleição de 2026: cada paulista poderá escolher dois senadores, e ambos os votos serão somados para definir os vencedores. Não existe segundo turno para o cargo.

Portanto, a disputa não se resume à definição do primeiro colocado. A composição final dependerá da distribuição das duas escolhas e da capacidade de mobilização das candidaturas nas últimas horas antes da votação.

Leia mais:

Quaest da véspera coloca quatro candidatos em empate técnico

A pesquisa Quaest, encomendada pela TV Globo e divulgada às 17h55 deste sábado, entrevistou presencialmente 3.702 eleitores paulistas com 16 anos ou mais entre 2 e 3 de outubro.

O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro SP-04726/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na distribuição dos votos válidos estimados, os resultados foram:

Candidato Votos válidos
Guilherme Derrite (PP) 25%
André do Prado (PL) 23%
Marina Silva (Rede) 22%
Simone Tebet (PSB) 22%
Guto Schiavetto (Missão) 2%
Demais candidatos 1% ou menos cada

A diferença entre Derrite e Marina ou Simone é de apenas três pontos percentuais.

André, segundo colocado numericamente, está somente um ponto à frente das duas candidatas.

O resultado não permite identificar com segurança estatística quais serão os dois eleitos. A proximidade entre os percentuais faz com que uma alteração na distribuição dos votos possa modificar a composição das cadeiras.

Os percentuais correspondem às duas escolhas consolidadas pelo instituto, excluindo brancos, nulos e indecisos. Não representam apuração oficial nem uma previsão individual do voto de cada entrevistado.

Confira a pesquisa Quaest de 3 de outubro para o Senado paulista.

GRÁFICO — SENADO EM SÃO PAULO

Inserir neste ponto o gráfico da pesquisa Quaest de 3 de outubro, disponibilizado junto à reportagem.

Legenda: Pesquisa Quaest apresenta Guilherme Derrite com 25%, André do Prado com 23% e Marina Silva e Simone Tebet com 22% dos votos válidos estimados (Gráfico: Diário Tocantinense/Dados: Quaest/TV Globo).

Datafolha apresenta Marina na liderança, enquanto Real Time favorece Derrite

Os levantamentos anteriores à pesquisa divulgada neste sábado reforçam a indefinição sobre a distribuição das duas vagas.

No Datafolha publicado em 1º de outubro, Marina Silva apareceu numericamente à frente, com 16%. André do Prado e Simone Tebet registraram 15% cada, enquanto Guilherme Derrite alcançou 14%.

A diferença entre o primeiro e o quarto colocado foi de dois pontos percentuais.

Já a Real Time Big Data, divulgada em 29 de setembro, apresentou outra configuração: Derrite liderou com 22%, André registrou 20%, Simone alcançou 18% e Marina apareceu com 15%.

A Quaest de 29 de setembro também havia identificado Derrite numericamente à frente, com 18%, seguido por Marina e Simone, com 15% cada, e André, com 12%.

Veja a comparação:

Candidato Datafolha 1º/10 Quaest 29/9 Real Time 29/9
Guilherme Derrite 14% 18% 22%
André do Prado 15% 12% 20%
Marina Silva 16% 15% 15%
Simone Tebet 15% 15% 18%

Os três levantamentos possuem margem de erro de dois pontos percentuais, mas utilizam períodos de coleta e metodologias próprias.

Não é correto reunir seus percentuais em uma única curva de evolução ou calcular uma média simples para estabelecer quem estaria eleito.

A convergência está na presença dos mesmos quatro nomes nas primeiras posições.

Veja o Datafolha de 1º de outubro.

Como Derrite e André cresceram durante setembro

A comparação das rodadas da Quaest realizadas com metodologia equivalente permite observar a movimentação das principais candidaturas durante a campanha.

Em 8 de setembro, Marina e Derrite apareciam numericamente empatados, com 14%. Simone registrava 12%, enquanto André tinha 7%.

Na rodada de 23 de setembro, Derrite alcançou 16%. Marina passou para 13%, Simone permaneceu com 12% e André registrou 8%.

Em 29 de setembro, a distribuição mudou novamente.

Candidato 8/9 23/9 29/9
Guilherme Derrite 14% 16% 18%
Marina Silva 14% 13% 15%
Simone Tebet 12% 12% 15%
André do Prado 7% 8% 12%

Derrite apresentou crescimento numérico de quatro pontos percentuais entre a primeira e a terceira rodada. André avançou cinco pontos, enquanto Marina e Simone apresentaram variações menores.

A pesquisa final deste sábado mostra os quatro candidatos novamente próximos, agora na estimativa de votos válidos. Como a base de cálculo é diferente, não é metodologicamente correto afirmar que Derrite cresceu diretamente de 18% para 25% ou André de 12% para 23%.

O movimento da campanha, entretanto, demonstra que a chapa apoiada por Tarcísio conseguiu ampliar sua participação numérica nos levantamentos de setembro.

Desistência de Ricardo Salles foi uma das principais mudanças da campanha

O episódio de maior repercussão na reta final ocorreu em 28 de setembro, quando Ricardo Salles anunciou sua desistência da disputa pelo Senado.

A decisão foi comunicada ao lado do governador Tarcísio de Freitas, de Guilherme Derrite e de André do Prado.

O ex-ministro do Meio Ambiente, que concorria pelo Novo, passou a apoiar os dois candidatos da chapa governista.

A movimentação teve importância porque Salles disputava uma parcela do eleitorado conservador que também poderia escolher Derrite ou André.

No Datafolha divulgado em 24 de setembro, o candidato do Novo aparecia com 4%. Na Quaest de 29 de setembro, registrava 3%.

A retirada não significa que esses percentuais tenham sido automaticamente transferidos aos candidatos apoiados por ele. Apenas pesquisas específicas de migração individual poderiam comprovar esse comportamento.

Politicamente, entretanto, a decisão estabeleceu uma estratégia de concentração das duas escolhas do eleitorado alinhado ao grupo de Tarcísio.

Outra particularidade exige atenção: o nome, a fotografia

Notícias relacionadas