Temer apoia Flávio Bolsonaro, Moraes entra nos bastidores e campanha reage à hipótese de acordo

Temer apoia Flávio Bolsonaro, Moraes entra nos bastidores e campanha reage à hipótese de acordo
Crédito: Diivulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 8 de outubro de 2026 7

O apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial colocou Alexandre de Moraes no centro das interpretações sobre os bastidores da campanha. A ligação política entre o ex-presidente e o ministro do Supremo Tribunal Federal alimentou a hipótese de uma articulação mais ampla, mas, até esta quinta-feira, 8 de outubro, não foi localizada confirmação pública de uma conversa entre Temer e Moraes depois do anúncio. A campanha de Flávio, por sua vez, negou a existência de acordo envolvendo o magistrado.

Temer anunciou sua posição na segunda-feira, 5 de outubro, por meio de um vídeo. O ex-presidente apresentou a escolha como uma resposta ao desejo de mudança que, em sua avaliação, teria sido manifestado nas urnas. Ao defender uma nova direção para o país, afirmou: “Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio”.

O contato relatado antes da declaração de apoio foi entre Temer e o próprio Flávio Bolsonaro. Segundo informações publicadas pela coluna de Igor Gadelha, os dois trocaram mensagens na noite de domingo, 4 de outubro, após a definição do segundo turno. Esse episódio é anterior ao anúncio e não confirma uma conversa do ex-presidente com Alexandre de Moraes.

A presença do ministro nessa discussão tem uma explicação histórica: foi Temer quem o indicou para o Supremo, em 2017. A associação entre os dois passou a ser usada na leitura política do apoio ao candidato do PL, especialmente diante dos conflitos entre o bolsonarismo e Moraes. Entretanto, a indicação ao tribunal e o posicionamento eleitoral do ex-presidente não demonstram, por si, a existência de um entendimento atual.

A hipótese de um acordo ganhou espaço depois que interlocutores petistas avaliaram que a aproximação poderia envolver uma proteção política ao ministro. Trata-se de uma interpretação atribuída a adversários da candidatura, sem comprovação apresentada de negociação, compromisso ou contrapartida.

O coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, respondeu às especulações na quarta-feira, 7 de outubro. “Nas conversas que nós tivemos, não existe nenhuma palavra de acordo”, declarou. Marinho também afirmou que o grupo não busca vingança, mas que não pretende se omitir. A manifestação estabelece a posição pública da campanha diante da hipótese levantada nos bastidores.

Politicamente, a adesão de um ex-presidente acrescenta à candidatura o apoio de uma figura com experiência no Executivo e nas negociações partidárias. Essa é uma leitura do alcance do gesto de Temer, e não evidência de participação do Supremo na campanha ou de compromisso assumido por Moraes.

O quadro divulgado até agora reúne três elementos distintos: Temer declarou apoio a Flávio, houve relato de contato prévio entre o ex-presidente e o candidato, e a campanha negou um acordo envolvendo Alexandre de Moraes. Uma conversa posterior entre Temer e o ministro permanece sem confirmação nas informações consultadas. Não há, portanto, conteúdo, data ou pauta de encontro que possa ser apresentado como fato.

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