O Jalapão, no leste do Tocantins, segue revelando sua importância ecológica e turística com a identificação de novas espécies da fauna aquática e terrestre. As descobertas reforçam o valor da região como patrimônio biológico e destino consolidado de ecoturismo, atraindo olhares de cientistas e viajantes em busca de experiências em meio à natureza preservada.
Descobertas recentes reforçam a relevância científica da região
Entre os achados recentes está a identificação de uma nova espécie de peixe do gênero Myloplus, encontrada nos rios que cortam o Jalapão e outras áreas da bacia do Tocantins-Araguaia. O exemplar se distingue por traços morfológicos específicos, como a presença de marca escura nos raios da nadadeira anal e o número de raios dorsais ramificados. A descrição foi publicada em artigo científico por pesquisadores brasileiros.
Outro destaque é a descoberta de uma nova espécie de candiru — o pequeno peixe de água doce da família Trichomycteridae — também descrito em publicação científica revisada por pares. A espécie, identificada em afluentes do Tocantins, tem características únicas que contribuem para o conhecimento da ictiofauna do Cerrado.
“O Jalapão ainda guarda muitos segredos biológicos. A cada nova expedição, há potencial de identificar espécies ainda não descritas pela ciência”, afirma um pesquisador vinculado a uma universidade pública da região Norte.
Ecossistemas que abrigam espécies raras e ameaçadas
Além das espécies recém-descobertas, o Jalapão abriga animais ameaçados de extinção, como o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus), considerado uma das aves aquáticas mais raras das Américas. A presença do pato nos rios cristalinos do Jalapão é um indicativo da boa qualidade ambiental da região e chama a atenção de observadores de aves e pesquisadores.
A vegetação do Cerrado também é diversa: veredas, campos rupestres e formações de matas ciliares concentram espécies endêmicas de plantas, algumas ainda pouco conhecidas pela ciência.
Ecoturismo em expansão impulsionado pela conservação
O turismo de natureza no Jalapão se fortalece ano após ano. Atrativos como os fervedouros, cachoeiras, dunas e trilhas ecológicas têm recebido visitantes de todas as partes do Brasil. A descoberta de novas espécies contribui para agregar valor aos roteiros, incentivando práticas de turismo responsável e de educação ambiental.
Guias locais têm relatado o aumento de turistas interessados em observação da fauna, especialmente de aves, e experiências relacionadas à preservação do bioma Cerrado. O ecoturismo, segundo operadores da região, é hoje a principal atividade econômica de municípios como Mateiros, Ponte Alta e São Félix do Tocantins.
“Cada espécie identificada fortalece o sentimento de pertencimento e cuidado com o território. Quem visita o Jalapão leva embora não só fotos, mas consciência”, comenta um guia de turismo que atua há mais de 10 anos na região.
Conservação: entre avanços e desafios
A proteção da biodiversidade do Jalapão ainda enfrenta desafios. Queimadas, ocupação desordenada e pressões por empreendimentos de grande porte colocam em risco o equilíbrio ambiental da região. Apesar disso, iniciativas locais têm buscado formas de promover o desenvolvimento sustentável, associando ciência, turismo e valorização das comunidades tradicionais.
Organizações da sociedade civil e pesquisadores alertam para a necessidade de reforçar o monitoramento e garantir investimentos em conservação. A biodiversidade, ressaltam, é também um ativo econômico e cultural do Tocantins.
As descobertas de novas espécies no Jalapão evidenciam a importância da região para a ciência, a educação ambiental e o turismo ecológico. O Cerrado tocantinense segue como um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, mais ameaçados do país. Proteger sua biodiversidade é garantir que futuras gerações possam vivenciar — e estudar — um dos ecossistemas mais fascinantes do Brasil
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