Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa

Anvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para sintomas da menopausa
Direto de PEPor Direto de PE 25 de junho de 2026 0

Médica ginecologista explica sobre o Veoza, novo fármaco que atua no controle da temperatura corporal e surge como alternativa para mulheres com contraindicação à terapia hormonal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, na última segunda-feira (22), o fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal indicado para o tratamento de sintomas vasomotores associados à menopausa. Comercializado sob o nome Veoza, o fármaco atua diretamente no mecanismo cerebral responsável pela regulação da temperatura corporal, oferecendo uma alternativa para mulheres que não podem ou não desejam recorrer à terapia de reposição hormonal.

Desenvolvido pela farmacêutica Astellas Farma, o medicamento será disponibilizado em comprimidos de uso diário. A indicação contempla mulheres em transição menopausal ou já na pós-menopausa que apresentem sintomas moderados a intensos, como ondas de calor e suores noturnos. Esses quadros estão entre os mais frequentes do climatério, período de transição que antecede a menopausa e pode impactar de forma significativa a qualidade de vida.

Ao contrário das terapias hormonais tradicionais, o Veoza não atua por meio da reposição de estrogênio. Seu mecanismo de ação se dá no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal, frequentemente desregulada durante a menopausa. Com isso, o medicamento busca reduzir a intensidade e a frequência dos chamados fogachos, sem interferir diretamente em outros sistemas do organismo.

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A ginecologista Roberta Brando (foto: divulgação)

A ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, destaca que a aprovação representa um avanço, mas ressalta as limitações do tratamento. “Ele é o primeiro tratamento não hormonal desenvolvido especificamente para alívio dos sintomas vasomotores, que são aqueles calorões da menopausa. Diferente das terapias tradicionais, o Veoza não injeta hormônio no corpo, ou seja, ele não vai proteger os seus ossos da osteoporose, seu coração do infarto e nem o cérebro da demência precoce. Ele atua no cérebro, sim, mas controlando esses calorões lá no hipotálamo”, afirma.

Segundo a médica, o uso do medicamento deve ser direcionado a perfis específicos de pacientes. “Para quem quer essa medicação, é importante entender que ela é indicada sobretudo para quem tem contraindicação absoluta à terapia de reposição hormonal. Mulheres que tiveram histórico de infarto, AVC, câncer de mama ou de ovário, por exemplo”, explica. Ela acrescenta que, embora aprovado, o produto ainda não está disponível no mercado brasileiro. “A Anvisa aprovou, mas é um medicamento que ainda não está sendo comercializado. De qualquer forma, é uma excelente notícia para o futuro do bem-estar feminino”, diz.

Apesar da aprovação regulatória, o fezolinetanto ainda não tem data definida para chegar às farmácias. O preço também dependerá de definição da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Até lá, especialistas recomendam cautela e avaliação individualizada antes da escolha de qualquer tratamento.

“Embora novas alternativas ampliem o leque terapêutico, a terapia de reposição hormonal segue como a abordagem mais completa para mulheres elegíveis, por atuar não apenas nos sintomas vasomotores, mas também na proteção óssea, cardiovascular e cognitiva. Quando bem indicada e acompanhada por um especialista, permanece como estratégia central no cuidado integral da saúde feminina durante a menopausa”, finaliza Dra. Roberta Brando.

 

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