Pesquisa Indexa/Broadcast: 45% dos brasileiros não confiam no STF; 42% confiam e pressão por impeachment volta ao centro do debate
Levantamento mostra divisão do país sobre o Supremo, enquanto a Polícia Federal alcança 70% de confiança; discussão sobre ministros ganha peso político na reta final das eleições. A confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal voltou ao centro do debate político nacional. Pesquisa Indexa/Broadcast mostra que 45% dos entrevistados afirmam não confiar no trabalho realizado pelo STF.
Do outro lado, 42% dizem confiar muito ou um pouco na Corte. Dentro desse grupo, 10% afirmam confiar muito e 32% dizem confiar um pouco. A diferença entre os que não confiam e aqueles que manifestam algum grau de confiança é de apenas três pontos percentuais. Considerando a margem de erro de 2,2 pontos, os grupos aparecem tecnicamente empatados.
O resultado mostra um país dividido justamente em um momento de forte exposição do Supremo, com decisões de grande repercussão política, embates envolvendo ministros e crescimento das discussões sobre pedidos de impeachment.
Os números gerais são:
Não confiam no STF: 45%
Confiam muito ou um pouco: 42%
Confiam muito: 10%
Confiam um pouco: 32%
A pesquisa também revela que a percepção sobre o Supremo muda significativamente de acordo com a posição política do entrevistado. Entre os eleitores que se identificam como integrantes de uma direita não bolsonarista, 55% dizem não confiar no STF. Entre bolsonaristas, o percentual chega a 54%.
No centro político, 46% afirmam não confiar no Supremo. Entre lulistas ou petistas, a desconfiança cai para 35%. Já entre entrevistados que se classificam como integrantes de uma esquerda não lulista, 30% dizem não confiar na Corte. Quando são consideradas as respostas de quem afirma confiar muito ou um pouco, o cenário também revela diferenças importantes. Entre integrantes da esquerda não lulista, 56% manifestam algum grau de confiança no STF.
Entre lulistas ou petistas, o índice chega a 49%. No centro, são 42%. Entre bolsonaristas, 37%. Na direita não bolsonarista, 32%. Voto em 2022 também divide avaliação
A pesquisa avaliou ainda a percepção dos entrevistados de acordo com o voto declarado no segundo turno da eleição presidencial de 2022.
Entre aqueles que dizem ter votado em Jair Bolsonaro, 55% afirmam não confiar no STF. Outros 34% dizem confiar muito ou um pouco.
Entre os que afirmam ter votado em Lula, o cenário se inverte: 51% manifestam algum grau de confiança no Supremo, enquanto 34% dizem não confiar.
Renda também influencia percepção
A avaliação do STF varia ainda de acordo com a renda dos entrevistados.
Entre aqueles com renda domiciliar superior a cinco salários mínimos, 51% afirmam não confiar no Supremo.
Entre os brasileiros com renda de até dois salários mínimos, a desconfiança fica em 40%.
PF chega a 70% de confiança
Quando o assunto é a Polícia Federal, os números são bastante diferentes.
Segundo a Indexa/Broadcast, 70% dos entrevistados afirmam confiar muito ou um pouco na instituição.
Desse total, 37% dizem confiar muito e 33% afirmam confiar um pouco.
Apenas 18% dizem não confiar na Polícia Federal.
Os números são:
Confiam muito na PF: 37%
Confiam um pouco: 33%
Total que confia muito ou um pouco: 70%
Não confiam: 18% A confiança na PF permanece elevada mesmo quando os entrevistados são separados por posicionamento político.
Entre integrantes da esquerda não lulista, chega a 78%. Entre lulistas ou petistas, é de 70%. Na direita não bolsonarista, também aparece em 70%. No centro político, são 69%. Entre bolsonaristas, 68% afirmam confiar muito ou um pouco na Polícia Federal. Impeachment de ministros volta ao debate A avaliação do STF ocorre paralelamente ao crescimento das discussões políticas sobre pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
Em levantamento anterior da própria Indexa, divulgado em maio, 47% dos entrevistados disseram ser favoráveis a que o Senado desse andamento aos processos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo. O assunto ganha ainda mais importância em ano eleitoral porque o eleitor também escolhe representantes para o Senado Federal.
É justamente o Senado que possui competência constitucional para processar e julgar ministros do Supremo Tribunal Federal nos casos de crimes de responsabilidade, seguindo os procedimentos previstos na legislação.
Com uma parcela expressiva da população demonstrando desconfiança em relação ao STF, o comportamento dos futuros senadores diante de pedidos envolvendo ministros tende a ganhar peso ainda maior no debate eleitoral.
Metodologia
A pesquisa Indexa/Broadcast ouviu 2 mil eleitores em todo o país entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026.
As entrevistas foram realizadas por telefone. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O nível de confiança é de 95%. Registro eleitoral: BR-03482/2026.