Governo do Rio: Paes chega a 51% sem Garotinho, mas avanço de Ruas ameaça vitória no 1º turno

Governo do Rio: Paes chega a 51% sem Garotinho, mas avanço de Ruas ameaça vitória no 1º turno
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 5

Decisão do TSE sobre votos do ex-governador pode alterar resultado da eleição; pesquisa Quaest mostra Paes na liderança, enquanto candidato do PL reduziu diferença durante setembro e consolidou segunda posição

A disputa pelo governo do Rio de Janeiro chega à véspera das Eleições 2026, neste sábado (3), com Eduardo Paes (PSD) na liderança, Douglas Ruas (PL) em crescimento e uma decisão da Justiça Eleitoral capaz de influenciar diretamente a realização do segundo turno. A pesquisa Quaest divulgada nesta tarde apresenta Paes com 49% dos votos válidos estimados no cenário que inclui Anthony Garotinho (Republicanos). Sem o ex-governador, o percentual sobe para 51%, suficiente para vencer a eleição neste domingo (4), caso seja confirmado nas urnas.

Douglas Ruas registra 40% no primeiro cenário e 43% no segundo. A diferença entre os dois principais candidatos caiu durante setembro, período no qual o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ampliou sua presença entre os eleitores identificados com o bolsonarismo.

A situação de Garotinho acrescentou uma variável jurídica ao resultado. Na sexta-feira (2), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que os votos destinados ao ex-governador sejam considerados anulados sub judice, diante do indeferimento de seu registro pelo TRE-RJ. O recurso definitivo ainda aguarda julgamento.

A decisão ganhou importância porque Garotinho mantém intenção de voto suficiente para interferir no percentual atribuído aos demais concorrentes. Na Quaest deste sábado, aparece com 6% dos votos válidos estimados no cenário que apresenta seu nome.

A campanha fluminense foi marcada por três movimentos: a liderança de Paes desde a pré-campanha, o crescimento de Ruas depois da intensificação do horário eleitoral e a disputa pela preferência do eleitorado conservador em um estado onde a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) possui presença expressiva.

O resultado apresenta um contraste. Paes encerra a campanha na primeira posição de todos os principais levantamentos consultados, mas não conseguiu impedir a redução da vantagem sobre Ruas. O candidato do PL, por sua vez, consolidou-se como principal adversário, embora ainda apareça atrás também nas simulações de segundo turno.

A apuração deste domingo determinará se o ex-prefeito conseguirá retornar ao Executivo, agora estadual, ou se os dois candidatos prolongarão a disputa pelo Palácio Guanabara até 25 de outubro.

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Quaest apresenta dois cenários e coloca Paes acima de 50% sem Garotinho

A pesquisa Quaest encomendada pela TV Globo entrevistou presencialmente 3.204 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 2 e 3 de outubro.

O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro RJ-03032/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.

No cenário que inclui Anthony Garotinho, os resultados de votos válidos estimados foram:

Candidato Votos válidos
Eduardo Paes (PSD) 49%
Douglas Ruas (PL) 40%
Anthony Garotinho (Republicanos) 6%
William Siri (PSOL) 3%
André Marinho (Novo) 1%
Coronel Busnello (Missão) 1%

Os demais candidatos não pontuaram nos percentuais inteiros divulgados pelo instituto.

No cenário alternativo, sem o nome de Garotinho, a distribuição muda:

Candidato Votos válidos
Eduardo Paes 51%
Douglas Ruas 43%
William Siri 3%
André Marinho 1%
Juliete 1%
Coronel Busnello 1%

A diferença entre Paes e Ruas passa de nove para oito pontos percentuais.

O ponto decisivo, entretanto, não é essa diferença, mas o fato de Paes ultrapassar a maioria absoluta na simulação sem Garotinho.

Para vencer em primeiro turno, um candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos efetivamente contabilizados pela Justiça Eleitoral.

Confira os dois cenários da Quaest divulgada em 3 de outubro.

GRÁFICO — GOVERNO DO RIO DE JANEIRO

Inserir neste ponto o gráfico comparativo dos dois cenários da Quaest disponibilizado junto à reportagem.

Legenda: Pesquisa Quaest mostra Eduardo Paes com 49% dos votos válidos no cenário com Garotinho e 51% na simulação sem o ex-governador (Gráfico: Diário Tocantinense/Dados: Quaest/TV Globo).

Decisão sobre Garotinho pode determinar se haverá segundo turno

A situação judicial de Anthony Garotinho tornou-se um dos principais acontecimentos da reta final da eleição fluminense.

O ex-governador teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), em razão de uma condenação relacionada à suspensão de seus direitos políticos.

A discussão envolve fatos investigados na administração estadual durante o governo de Rosinha Garotinho, entre 2003 e 2006, e o marco temporal utilizado para calcular a duração da inelegibilidade.

A defesa sustenta que a sanção já teria terminado. O TRE-RJ adotou entendimento diferente, considerando que o impedimento permanece até 2033.

Na sexta-feira (2), o ministro Floriano Marques determinou que os votos recebidos pelo candidato sejam classificados como anulados sub judice, enquanto permanece pendente a análise definitiva do recurso.

O nome de Garotinho continua disponível na urna eletrônica.

A decisão ocorreu depois de manifestação da coligação de Paes, que apontou a possibilidade de instabilidade na proclamação dos resultados caso os votos do ex-governador fossem considerados inicialmente e posteriormente anulados.

A repercussão eleitoral aparece nas pesquisas.

No Datafolha de 1º de outubro, Paes registrou 47% dos votos válidos estimados no cenário com Garotinho, que tinha 8%. Caso uma distribuição equivalente se repetisse nas urnas e esses votos fossem excluídos do cálculo, o percentual relativo de Paes poderia ultrapassar 50%.

A estimativa não equivale ao cenário alternativo pesquisado diretamente pelo instituto, no qual os entrevistados fizeram suas escolhas sem o nome de Garotinho e Paes alcançou 48%.

A distinção é necessária porque retirar um candidato da lista apresentada ao entrevistado e anular os votos que ele efetivamente receber nas urnas são procedimentos diferentes.

A definição dependerá da situação jurídica vigente na apuração, dos votos registrados e das decisões da Justiça Eleitoral.

Entenda a decisão do TSE sobre os votos destinados a Garotinho.

Douglas Ruas cresceu 12 pontos no Datafolha durante a campanha

A evolução dos levantamentos mostra que o crescimento do candidato do PL foi o principal movimento eleitoral de setembro.

No Datafolha divulgado em agosto, Paes aparecia com 41% das intenções de voto estimuladas, enquanto Douglas Ruas registrava 19%.

Em setembro, a vantagem começou a diminuir.

Candidato Agosto 14/9 28/9 2/10
Eduardo Paes 41% 43% 43% 42%
Douglas Ruas 19% 25% 30% 31%
Anthony Garotinho 9% 10% 8% 7%

Os percentuais correspondem à pesquisa estimulada, com a apresentação dos nomes aos entrevistados e a inclusão de todas as categorias de resposta na base de cálculo.

Entre agosto e outubro, Ruas avançou 12 pontos percentuais, enquanto Paes oscilou de 41% para 42%.

A diferença entre os dois passou de 22 para 11 pontos.

O movimento demonstra que a liderança do ex-prefeito permaneceu estável em termos absolutos, mas a vantagem diminuiu com o crescimento de seu principal adversário.

Na distribuição de votos válidos estimados do Datafolha, a diferença caiu de 28 pontos em agosto para 12 pontos no último levantamento.

A pesquisa de 2 de outubro entrevistou 1.204 eleitores em 35 municípios, entre 29 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais e o registro eleitoral é RJ-02070/2026.

Consulte a série histórica do Datafolha para o governo do Rio.

Quaest também identificou redução da vantagem de Paes

A comparação entre as rodadas de setembro da Quaest apresenta um comportamento semelhante ao registrado pelo Datafolha.

Na pesquisa divulgada em 8 de setembro, Paes aparecia com 39% das intenções de voto, contra 18% de Ruas.

Em 23 de setembro, Paes registrou 36%, enquanto Ruas alcançou 23%.

Na última rodada comparável daquele mês, divulgada em 29 de setembro, Paes apareceu com 34% e Ruas com 25%.

Candidato 8/9 23/9 29/9
Eduardo Paes 39% 36% 34%
Douglas Ruas 18% 23% 25%
Anthony Garotinho 8% 8% 9%

A diferença entre Paes e Ruas diminuiu de 21 para nove pontos percentuais.

Os dados revelam aproximação numérica, mas não autorizam tratar todas as oscilações individuais como mudanças estatisticamente comprovadas, consideradas as margens de erro dos levantamentos.

A pesquisa deste sábado utiliza percentuais de votos válidos estimados e, portanto, não deve ser adicionada diretamente à série anterior como se representasse a mesma base de cálculo.

Paes tentou construir aliança com Lula sem depender da polarização nacional

Ex-prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes disputou a eleição pelo PSD depois de exercer quatro mandatos à frente da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Sua candidatura foi oficializada em julho, com Jane Reis (MDB) como candidata a vice-governadora.

A aliança reúne partidos de diferentes campos políticos, incluindo siglas vinculadas ao governo do presidente Lula.

Durante a campanha, Paes procurou combinar o apoio do campo governista federal com uma estratégia de comunicação estadual que evitasse transformar a disputa pelo Palácio Guanabara em uma reprodução automática da eleição presidencial.

A escolha possui uma explicação eleitoral.

O Rio de Janeiro apresenta presença expressiva do eleitorado conservador e bolsonarista. Uma identificação exclusiva com o PT poderia limitar a capacidade de Paes de alcançar entrevistados que apoiam Flávio Bolsonaro para presidente.

Dados do Datafolha de setembro mostraram que Paes concentrava 77% das intenções de voto entre eleitores de Lula, mas também registrava 21% entre os entrevistados que declaravam preferência por Flávio Bolsonaro.

Sua campanha, portanto, procurou preservar apoio entre grupos eleitorais distintos.

Na apresentação das propostas, Paes defendeu reorganização da segurança pública, recuperação dos serviços estaduais e ampliação da capacidade de investimento.

Na segurança, apresentou a proposta de restabelecer uma estrutura de comando integrado, reunindo as polícias Civil e Militar sob uma Secretaria de Segurança Pública.

Também defendeu medidas para recuperar a qualidade do transporte ferroviário, especialmente dos serviços da SuperVia, e melhorar a administração dos hospitais estaduais.

A experiência municipal foi apresentada como argumento de capacidade administrativa para assumir o governo estadual.

Veja as propostas de Paes para segurança pública, transporte e saúde.

Ruas apostou na identidade bolsonarista e reduziu diferença nas pesquisas

Douglas Ruas, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, disputa o governo pelo PL.

Antes de assumir o comando da Alerj, integrou a administração do ex-governador Cláudio Castro, tendo exercido o cargo de secretário estadual das Cidades.

Sua candidatura procurou representar a continuidade do campo político vinculado ao bolsonarismo no estado.

Durante a campanha, Ruas utilizou a relação com Jair Bolsonaro e o alinhamento com Flávio Bolsonaro como elementos de mobilização eleitoral.

Essa estratégia apresentou resultados nos levantamentos.

Segundo recorte do Datafolha divulgado no fim de setembro, Ruas passou de 37% para 63% das intenções de voto entre eleitores de Flávio Bolsonaro ao longo de aproximadamente um mês.

O crescimento nesse grupo contribuiu para reduzir a distância geral em relação a Paes.

A candidatura também procurou construir uma agenda própria para o Executivo estadual.

Em sabatina realizada pela Record, Ruas defendeu a revisão dos indicadores utilizados na avaliação do desempenho das forças policiais, a criação de uma estrutura de assistência jurídica para policiais e maior integração com o governo federal no enfrentamento ao crime organizado.

Transporte público, infraestrutura e saúde também apareceram entre os compromissos apresentados.

Entretanto, a aproximação eleitoral com o ex-governador Cláudio Castro tornou-se um dos principais pontos de confronto durante os debates.

Paes procurou associar o adversário aos resultados e às controvérsias da administração estadual anterior. Ruas respondeu com críticas à relação de Paes com Lula e à atuação do ex-prefeito na capital.

Confira a entrevista de Douglas Ruas sobre seu programa de governo.

Garotinho manteve presença eleitoral apesar do indeferimento da candidatura

Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, entrou na disputa pelo Republicanos tentando recuperar espaço na política fluminense.

Sua candidatura procurou utilizar o reconhecimento acumulado ao longo de sua trajetória administrativa, principalmente no interior do estado.

Durante setembro, permaneceu na terceira posição nos principais levantamentos, registrando percentuais próximos de 8% a 10% na pesquisa estimulada do Datafolha.

O desempenho demonstrou a permanência de uma base eleitoral própria, apesar das dificuldades jurídicas.

A decisão do TRE-RJ de indeferir sua candidatura alterou, entretanto, a perspectiva de participação efetiva na eleição.

Com a determinação vigente do TSE sobre a anulação de seus votos, Garotinho passou a ocupar posição central não apenas na disputa eleitoral, mas também na discussão sobre o cálculo da maioria absoluta no primeiro turno.

A defesa mantém contestação à interpretação adotada pela Justiça Eleitoral.

A situação final do registro ainda poderá produzir novos desdobramentos judiciais.

Segurança pública dominou confronto entre Paes e Ruas

O debate realizado pela TV Globo em 29 de setembro reuniu Eduardo Paes, Douglas Ruas, Anthony Garotinho, William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo).

O encontro foi marcado por confrontos sobre segurança pública, corrupção, administração estadual e alianças políticas.

Paes direcionou críticas à relação de Ruas com o ex-governador Cláudio Castro e com integrantes da antiga direção da Alerj.

Ruas, por sua vez, procurou questionar a atuação administrativa de Paes e a aproximação do candidato do PSD com o presidente Lula.

Garotinho apresentou críticas aos dois principais concorrentes e também questionou a atuação da Assembleia Legislativa.

André Marinho procurou diferenciar sua candidatura por meio de propostas relacionadas à gestão pública e ao funcionamento dos serviços estaduais.

William Siri apresentou questionamentos sobre emprego, saneamento, transporte e acesso da população aos serviços públicos.

Entre os assuntos discutidos estiveram também a retomada de territórios controlados por organizações criminosas, incentivos fiscais, educação, dívida estadual e atendimento às pessoas com transtorno do espectro autista.

A segurança pública ocupou posição central porque permanece entre os principais desafios administrativos do Rio de Janeiro e porque Paes e Ruas procuram apresentar modelos distintos de gestão para enfrentar a criminalidade.

Confira a cobertura do debate promovido pela TV Globo.

Pesquisa revela diferenças entre mulheres, homens e grupos religiosos

O detalhamento do Datafolha divulgado em 2 de outubro também identifica diferenças na distribuição das intenções de voto.

No cenário estimulado com Garotinho, Eduardo Paes registra 45% entre as mulheres e 37% entre os homens.

Douglas Ruas apresenta comportamento inverso, com 36% entre os homens e 26% entre as mulheres.

Entre os eleitores católicos, Paes alcança 48%, enquanto Ruas tem 29%.

Já entre os evangélicos, Ruas aparece com 40%, diante de 29% de Paes.

Grupo Eduardo Paes Douglas Ruas
Mulheres 45% 26%
Homens 37% 36%
Católicos 48% 29%
Evangélicos 29% 40%

Os percentuais demonstram diferenças estat

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