Eleições 2026: Wanderlei desafia Amélio a abrir CPI das cestas; Dorinha reage: “Ninguém vai ganhar no grito”, Amélio diz que segue no jogo e Vicentinho avisa: “Não me compre de menino mole”

Evento com vereadores em Palmas deixou de lado o tom institucional, expôs fissuras no bloco governista e ampliou a pressão sobre o futuro político de Amélio Cayres dentro do Republicanos.
O encontro de vereadores realizado nesta quinta-feira, 26 de março, em Palmas, acabou se transformando em um dos atos políticos mais tensos deste início de pré-campanha no Tocantins. O que era para ser uma agenda institucional virou palco de recados duros, demonstrações de força e exposição pública das divergências que já vinham crescendo nos bastidores do grupo governista.
Quem elevou a temperatura de vez foi o governador Wanderlei Barbosa. Ao rebater falas anteriores no evento, ele lançou um desafio direto ao presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, ao afirmar que o que mais queria era ver aberta uma CPI para investigar o caso das cestas básicas. Em seguida, endureceu ainda mais o tom ao dizer: “Pode fazer a CPI, porque no dia em que a Polícia Federal entrou na minha casa, entrou na de vocês também.” A declaração teve peso de confronto e foi lida nos bastidores como um aviso de que o governador não pretende mais tratar a disputa interna em voz baixa. Amélio teria dito a imprensa que o Republicanos não o teria dado ‘sequer’ vaga de senador e deve ir talvez para outro partido.
Amélio respondeu sem romper no plano pessoal, mas deixando claro que não saiu da corrida. Diante das lideranças presentes, afirmou que sua pré-candidatura ao governo “é uma candidatura mesmo” e, ao se dirigir a Wanderlei, declarou: “o senhor não me deve nada” e “não tem a obrigação de me apoiar”. Também disse que nada vai fazê-lo romper sua amizade com o governador e sua família. O discurso mostrou tentativa de preservar a relação institucional, mas sem abrir mão do projeto eleitoral.
Por trás da fala pública, porém, o desconforto é maior. Aliados de Amélio têm sustentado que o Republicanos, mesmo reunindo o governador, o presidente da Assembleia, bancada expressiva, prefeitos e vereadores, caminha para um papel menor do que o tamanho político que possui hoje. Nesse grupo, a avaliação é de que Amélio não tem interesse em ser vice e só aceitaria disputar o Senado se fosse na majoritária, e não como candidatura avulsa. Em resumo, o entorno do presidente da Aleto reclama que o partido ainda não lhe abriu, de forma efetiva, nem a vaga de senador na chapa principal, nem um caminho político compatível com o projeto que ele defende para 2026.
Vicentinho Júnior também entrou no centro do embate e fez um discurso para marcar território. Disse que “quem quiser candidato a governo para fazer mimimização vai me encontrar” e soltou a frase que mais repercutiu no evento: “Não me comprem de menino mole”. No mesmo discurso, afirmou ainda que não haverá eleição nem recado mal dado capaz de apagar mais de 40 anos de amizade com Amélio, numa tentativa de separar confronto político de relação pessoal.
Dorinha escolheu outra estratégia, mas também mandou um recado claro. Sem aderir ao mesmo tom de enfrentamento, afirmou que “Ninguém vai ganhar no grito campanha nenhuma”, numa fala que buscou marcar posição de firmeza sem se misturar ao ambiente de choque aberto. O gesto reforça a tentativa de se apresentar como alternativa de equilíbrio em meio ao acirramento do debate entre nomes que até pouco tempo orbitavam o mesmo campo político.
O saldo político do encontro é imediato. Wanderlei mostrou disposição para o confronto direto. Amélio reafirmou que segue no jogo e não aceita papel secundário. Vicentinho apareceu disposto ao embate. Dorinha tentou ocupar o espaço da firmeza com controle. E o Republicanos saiu do evento ainda mais pressionado a dizer, com clareza, qual lugar pretende reservar a Amélio na montagem de 2026. Depois de Palmas, ficou mais difícil tratar as divergências internas como simples ruído de bastidor