Tocantins perde Landri Neto poucos dias após jornalista participar de cobertura do debate eleitoral
O jornalismo, a advocacia e as instituições de defesa dos direitos humanos do Tocantins estão de luto pela morte de Landri Alves Carvalho Neto, de 42 anos. O jornalista e advogado morreu na manhã de domingo, 23 de agosto, em Palmas, após enfrentar complicações relacionadas a um problema cardíaco. Apresentador da RedeTV Tocantins e estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Landri mantinha uma rotina profissional ativa até poucos dias antes da internação.
A notícia ganhou ainda mais repercussão porque Landri havia participado, na terça-feira, 18 de agosto, do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Tocantins nas eleições de 2026. O encontro foi realizado nos estúdios da Rádio Hits FM/Record News, em Palmas, numa parceria envolvendo a Associação dos Veículos de Comunicação do Estado do Tocantins (AVECOM), Record News, Rede Hits FM e RedeTV.
Na ocasião, Landri integrou o grupo de jornalistas convidados para questionar os candidatos. Durante o terceiro bloco, dirigiu uma pergunta ao candidato Laurez Moreira sobre as desigualdades existentes no mercado de trabalho tocantinense e quais políticas poderiam ser adotadas para reduzir as diferenças de oportunidades entre homens e mulheres e entre diferentes grupos raciais. Sua participação no debate acabou se tornando uma de suas últimas aparições profissionais de grande repercussão.
No dia seguinte ao debate, quarta-feira, 19, Landri foi internado para a realização de um novo procedimento cardíaco. Segundo informações divulgadas após sua morte, ele havia descoberto um problema no coração no ano anterior e passou por cirurgia para substituição de uma válvula. Depois de se recuperar e retornar às atividades, novos exames realizados em julho deste ano identificaram uma complicação que exigiria outra intervenção.
O novo procedimento foi realizado na quinta-feira, 20. Conforme informações divulgadas pela imprensa, ocorreram complicações durante o tratamento, e Landri permaneceu intubado e sob cuidados intensivos. A evolução esperada não aconteceu e o jornalista morreu no domingo, apenas cinco dias depois de participar do debate eleitoral.
A proximidade entre os dois acontecimentos foi destacada pela AVECOM em nota de pesar. A entidade, presidida por Alex Câmara, lembrou que Landri havia estado ao lado dos veículos associados justamente durante o primeiro debate entre os candidatos ao Governo. Para a associação, a lembrança daquele encontro tornou a despedida ainda mais dolorosa para profissionais que estiveram com ele poucos dias antes.
Na manifestação, a AVECOM ressaltou a trajetória de Landri tanto na comunicação quanto na advocacia e prestou solidariedade à família, aos amigos e aos profissionais da RedeTV Tocantins. “A proximidade desse encontro torna sua partida ainda mais difícil para todos nós”, registrou a associação ao recordar sua participação no debate. A nota foi assinada pelo presidente Alex Câmara em nome da diretoria e dos associados.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) e a Caixa de Assistência dos Advogados do Tocantins (CAATO) também divulgaram manifestação conjunta e decretaram luto oficial no domingo, 23, e nesta segunda-feira, 24. As entidades lembraram especialmente a atuação de Landri dentro da advocacia e sua participação em pautas voltadas à cidadania, igualdade, diversidade e direitos humanos.
Landri presidiu por cerca de sete anos a Comissão de Diversidade Sexual da OAB Tocantins. Também teve atuação no Instituto Brasileiro de Direito de Família no Tocantins (IBDFAM-TO), onde exerceu funções ligadas à área de diversidade sexual e de gênero. Sua trajetória institucional foi marcada pela participação em debates, fóruns, palestras e ações voltadas à defesa de direitos e ao enfrentamento da discriminação.
Em sua nota, OAB-TO e CAATO afirmaram que Landri dedicou parte importante de sua trajetória profissional à advocacia e à construção de uma sociedade mais justa e plural. As entidades destacaram que sua atuação deixou contribuição para a história da advocacia tocantinense, sobretudo nas discussões sobre cidadania e direitos de grupos historicamente vulneráveis.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins (Sindjor-TO) foi outra entidade a lamentar a morte. Em nota, o sindicato lembrou que, embora Landri ainda fosse estudante do curso de Jornalismo da UFT, já possuía atuação consolidada como apresentador e comunicador. Segundo o Sindjor, ele desempenhava a missão de informar a população com “habilidade e seriedade”.
O sindicato também recordou a campanha por doação de sangue realizada antes da nova intervenção cardíaca e relatou que Landri demonstrava otimismo em relação ao tratamento. A entidade resumiu a sensação deixada pela notícia ao afirmar que familiares e amigos aguardavam sua recuperação, mas sua partida acabou deixando um vazio entre aqueles que acompanhavam sua trajetória.
O curso de Jornalismo da Universidade Federal do Tocantins também manifestou pesar. Landri era acadêmico da instituição e conciliava a formação universitária com o trabalho que já desenvolvia diante das câmeras. Em sua manifestação, o colegiado relembrou um estudante dedicado, alegre e questionador, além da paixão que demonstrava pelo jornalismo. As condolências foram estendidas à família, aos colegas de turma e especialmente à mãe e ao irmão do comunicador, que também possui vínculo acadêmico com a universidade.
A RedeTV Tocantins, onde Landri atuava como apresentador, também se despediu do profissional. A emissora destacou a presença marcante que ele construiu no convívio diário com a equipe e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e admiradores. A morte interrompeu uma fase em que Landri ampliava sua presença na televisão e passava a participar também de momentos importantes da cobertura política estadual.
A trajetória de Landri, no entanto, foi construída muito antes de sua atuação mais recente no jornalismo. Na advocacia, tornou-se conhecido pela defesa da cidadania e pela discussão pública de temas relacionados à igualdade e ao combate à discriminação. Ele participou de atividades promovidas pelo sistema de Justiça e chegou a integrar debates sobre diversidade, direitos humanos e políticas de proteção à população LGBTQIA+.
Em junho deste ano, Landri havia anunciado o encerramento de um ciclo de atuação institucional na militância ligada às pautas LGBTQIA+, depois de anos de participação em comissões e entidades. Ao explicar a decisão naquela ocasião, relacionou a mudança ao período difícil de saúde que havia enfrentado e à necessidade de buscar um momento de maior recolhimento.
A morte também provocou manifestações de autoridades políticas e lideranças do Estado. A senadora Professora Dorinha destacou a contribuição de Landri para a advocacia, cidadania, igualdade e respeito. O vice-governador Laurez Moreira lembrou a trajetória profissional do jornalista e advogado e seu compromisso com a defesa de direitos. O senador Eduardo Gomes também prestou solidariedade à família, aos colegas de profissão e à imprensa tocantinense, destacando o compromisso de Landri com a informação e com a dignidade das pessoas.
A despedida mobilizou profissionais de duas áreas nas quais Landri construiu relações profundas. Jornalistas lamentaram a perda de um colega que estava em plena atividade, enquanto advogados recordaram sua passagem por importantes espaços institucionais da OAB Tocantins e sua atuação em causas relacionadas aos direitos humanos.
O velório começou às 19 horas de domingo na sede da OAB Tocantins, em Palmas, local escolhido justamente por representar uma das instituições que fizeram parte de sua trajetória profissional. O sepultamento foi marcado para as 8 horas desta segunda-feira, 24 de agosto, no Cemitério Jardim Municipal da Paz, na capital.
A última semana ajuda a dimensionar a comoção provocada pela morte. Na terça-feira, Landri estava diante das câmeras, participando de um dos principais acontecimentos da campanha eleitoral tocantinense e questionando candidatos que disputam o comando do Estado. Poucos dias depois, as mesmas entidades, emissoras e profissionais que dividiram aquele espaço com ele passaram a divulgar notas de pesar.
Para a AVECOM, que esteve diretamente ao lado de Landri no debate de 18 de agosto, a despedida ganhou um significado ainda mais próximo. Para a RedeTV Tocantins, ficou a ausência de um apresentador querido. Para o Sindjor e para os colegas da comunicação, a perda de um profissional que consolidava sua trajetória jornalística. Para a UFT, a ausência de um estudante que já vivenciava intensamente a profissão que escolhera. E, para OAB-TO e CAATO, permanece a memória de um advogado que dedicou anos de sua vida à defesa de direitos, da igualdade e da cidadania.
Landri Neto deixa uma trajetória que atravessou a televisão, a universidade, a advocacia e a atuação institucional. Sua morte aos 42 anos encerra precocemente uma caminhada profissional que, até poucos dias antes, seguia ativa diante das câmeras e no debate público tocantinense, deixando manifestações de pesar de entidades, colegas, autoridades, amigos e de todos aqueles que acompanharam seu trabalho no Tocantins.