Podemos registra baixas no Tocantins: renúncias mexem na chapa e campanhas federais somavam R$ 1,9 milhão

Podemos registra baixas no Tocantins: renúncias mexem na chapa e campanhas federais somavam R$ 1,9 milhão
Eduardo Siqueira Campos durante a posse no Espaço Cultural, carregando símbolos do legado de Siqueira Campos, como a pomba do Espírito Santo.
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 16 de setembro de 2026 29

Partido chega à reta final com renúncias, retirada de candidatura, mudança de apoio ao Governo e diferenças expressivas nos recursos declarados pelos principais nomes da sigla. O Podemos chega à reta final das eleições no Tocantins com uma configuração diferente daquela apresentada no início da campanha. A legenda já registrou renúncias, viu Luana Ribeiro anunciar a retirada de sua candidatura à Assembleia Legislativa, teve mudança de posição política de Ksarin na disputa pelo Governo e apresenta diferenças significativas na arrecadação entre seus candidatos.

As primeiras baixas vieram ainda no início da campanha. Professora Valéria Domingues deixou a disputa para deputada federal. Na chapa estadual, José Filho Araújo, o José do Podemos, e Marcos do Vicente também renunciaram às candidaturas. As três desistências apareceram entre as primeiras renúncias formalizadas no Tocantins nesta eleição.

O movimento mais recente ocorreu nesta semana. A ex-deputada estadual Luana Ribeiro anunciou que não seguirá na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos. Ao comunicar a decisão, Luana afirmou que a falta de apoio partidário e político pesou na retirada. Ela também disse que não encontrou, ao longo da campanha, o suporte esperado de algumas lideranças às quais havia decidido dar apoio. A ex-deputada não citou nominalmente essas lideranças. Os dados financeiros da campanha de Luana ajudam a dimensionar o cenário. Antes de anunciar a retirada, ela havia declarado pouco mais de R$ 44 mil em receitas.

Do total, R$ 28 mil saíram do próprio bolso da candidata. Outros valores vieram de doações e repasses de outras estruturas políticas. Diretamente do Podemos, Luana havia recebido apenas R$ 752,17 até a atualização consultada.

O número contrasta com a arrecadação de outros candidatos da legenda. Entre os nomes do Podemos na disputa estadual, Marcos Júnior aparecia com mais de R$ 417 mil em receitas declaradas. Carlos Amastha registrava cerca de R$ 289 mil. Ksarin aparecia em seguida, com aproximadamente R$ 160 mil. Inara Machado tinha pouco mais de R$ 94 mil; Marycats da Causa Animal, R$ 76 mil; Júnior Diamantino, cerca de R$ 60 mil; e Paulinho do Bonifácio, pouco mais de R$ 58 mil.

Ksarin, no entanto, protagonizou outro tipo de movimento dentro do partido. O ex-prefeito de Colinas do Tocantins continua candidato a deputado estadual pelo Podemos, mas mudou de posição na disputa pelo Governo.

Depois de ter declarado apoio a Dorinha, do União Brasil, Ksarin anunciou, em 10 de setembro, apoio a Vicentinho Júnior, do PSDB. A mudança chamou atenção porque o Podemos está no campo político que apoia Dorinha na disputa estadual. Em Colinas, o movimento provocou repercussão imediata. O prefeito Zé Nagru reafirmou apoio a Dorinha e tratou a decisão de Ksarin como uma escolha pessoal. Dias depois, os dois apareceram juntos e negaram rompimento político.

Ksarin permanece na disputa pela Assembleia Legislativa com o número 20999. A mudança ocorreu apenas na escolha para o Governo. Na chapa federal do Podemos, os valores declarados são ainda maiores.

Tiago Dimas aparecia com pouco mais de R$ 1 milhão em receitas. Quase todo esse montante veio da direção nacional do partido. Tenente Célio tinha cerca de R$ 316 mil. Maria do Jalapão aparecia com aproximadamente R$ 215 mil e Oseias Reis com pouco mais de R$ 165 mil. Sandoval Cardoso também ganhou reforço financeiro durante a campanha. A candidatura de Ronaldo Dimas ao Senado transferiu R$ 695,5 mil para o ex-governador, que disputa uma vaga de deputado federal. Na corrida pelo Senado, Ronaldo Dimas concentra um dos maiores volumes de recursos dentro da legenda.

Sua campanha havia declarado mais de R$ 3,2 milhões em receitas, sendo mais de R$ 3,1 milhões provenientes da direção nacional do Podemos. Vanderlei Luxemburgo, também candidato ao Senado pela sigla, aparecia com cerca de R$ 500 mil.

O cenário mostra um Podemos dividido entre diferentes movimentos nesta reta final. De um lado estão as renúncias de Professora Valéria Domingues, José Filho Araújo e Marcos do Vicente. Depois veio a retirada de Luana Ribeiro, acompanhada de críticas à falta de apoio durante a campanha. Em outra frente, Ksarin decidiu permanecer candidato pelo partido, mas mudou seu apoio na eleição para governador.Ao mesmo tempo, as prestações de contas revelam que os recursos foram distribuídos de maneira bastante diferente entre os candidatos.

Enquanto Luana recebeu pouco mais de R$ 700 diretamente do Podemos, Tiago Dimas passou de R$ 1 milhão em repasses da direção nacional e Ronaldo Dimas recebeu mais de R$ 3,1 milhões da estrutura partidária.

Os números não permitem, sozinhos, concluir quais critérios foram utilizados pelo partido na distribuição dos recursos. As legendas possuem autonomia para organizar suas estratégias eleitorais dentro das regras estabelecidas pela legislação.

Também é importante diferenciar arrecadação de gasto. O valor recebido não significa necessariamente que todo o dinheiro já tenha sido utilizado pela campanha. Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o Podemos entra nas últimas semanas da eleição com menos candidatos do que no início, mudança de apoio entre seus próprios nomes e uma distribuição financeira que passou a chamar atenção.

O Diário Tocantinense segue acompanhando as atualizações do DivulgaCandContas, possíveis novas mudanças na nominata e a prestação de contas das campanhas. O espaço permanece aberto ao Podemos e aos candidatos citados.

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