Daniel Vilela chega favorito ao governo de Goiás; veja como foi a campanha
Governador lidera as pesquisas da reta final, enquanto Marconi Perillo e Wilder Morais disputam a segunda posição; possibilidade de vitória no primeiro turno permanece em aberto
A disputa pelo governo de Goiás chega à véspera do primeiro turno das Eleições 2026, neste sábado (3), com Daniel Vilela (MDB) na condição de favorito. O atual governador lidera os três principais levantamentos divulgados na segunda quinzena de setembro, mantém vantagem superior a 20 pontos percentuais sobre seus adversários e aparece à frente nas simulações de segundo turno.
A principal indefinição está na possibilidade de a eleição terminar neste domingo (4). Os percentuais registrados pelo emedebista colocam sua candidatura próxima da maioria absoluta dos votos válidos, necessária para vencer sem uma nova votação.
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador Wilder Morais (PL) disputam a segunda posição. A diferença entre os dois permaneceu dentro da margem de erro nas pesquisas mais recentes. Luís César Bueno (PT), Luciana Amorim (UP) e Danilo Pinheiro (PCO) completam a disputa.
A configuração atual é resultado de uma campanha marcada pela transferência do capital político de Ronaldo Caiado para Daniel Vilela, pela tentativa de Marconi de recuperar o espaço eleitoral do PSDB e pelo esforço de Wilder para consolidar o eleitorado bolsonarista em torno de uma candidatura própria.
Os números indicam favoritismo de Daniel, mas não autorizam antecipar o resultado. A distribuição final dos indecisos, o comparecimento às urnas e o desempenho das demais candidaturas ainda poderão determinar se Goiás terá segundo turno em 25 de outubro.
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O que mostram as últimas pesquisas para o governo de Goiás
Três levantamentos divulgados em setembro apresentam Daniel Vilela isolado na primeira colocação. Embora tenham metodologias, períodos de coleta e margens de erro diferentes, todos identificaram o mesmo cenário de liderança.
| Candidato | Quaest 24/9 | Real Time 22/9 | Paraná 28/9 |
|---|---|---|---|
| Daniel Vilela (MDB) | 42% | 46% | 45,6% |
| Marconi Perillo (PSDB) | 19% | 18% | 18,4% |
| Wilder Morais (PL) | 15% | 19% | 18,5% |
| Luís César Bueno (PT) | 5% | 8% | 6,1% |
Na pesquisa Paraná Pesquisas, encomendada pelo Portal 6 e divulgada em 28 de setembro, Daniel registrou 45,6%, contra 18,5% de Wilder e 18,4% de Marconi. A diferença para o segundo colocado alcançou 27,1 pontos percentuais.
O levantamento entrevistou 1.352 eleitores em 62 municípios, entre os dias 25 e 27 de setembro, com margem de erro de 2,7 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número GO-07040/2026.
A pesquisa também apontou Luís César Bueno com 6,1%, Luciana Amorim com 0,9% e Danilo Pinheiro com 0,8%. Brancos e nulos somaram 5,5%, enquanto 4,1% não souberam ou não responderam.
Confira os dados completos da Paraná Pesquisas.
GRÁFICO 1 — Intenção de voto para o Governo de Goiás
Inserir neste ponto o gráfico Paraná Pesquisas de 28 de setembro, disponibilizado junto à reportagem.
Legenda: Daniel Vilela lidera a disputa pelo governo de Goiás, enquanto Wilder Morais e Marconi Perillo aparecem tecnicamente empatados na segunda posição (Gráfico: Diário Tocantinense/Dados: Paraná Pesquisas).
Daniel cresceu durante a campanha e ampliou vantagem
O desempenho do candidato do MDB não se resume a uma liderança pontual. A comparação entre as duas rodadas da Quaest mostra crescimento durante o período oficial de campanha.
Em agosto, Daniel registrava 37% das intenções de voto. Em setembro, alcançou 42%, avanço de cinco pontos percentuais.
Marconi passou de 20% para 19%, enquanto Wilder saiu de 12% para 15%. Luís César Bueno oscilou de 4% para 5%.
| Candidato | Agosto | Setembro | Variação |
|---|---|---|---|
| Daniel Vilela | 37% | 42% | +5 p.p. |
| Marconi Perillo | 20% | 19% | -1 p.p. |
| Wilder Morais | 12% | 15% | +3 p.p. |
| Luís César Bueno | 4% | 5% | +1 p.p. |
A redução dos indecisos também merece atenção. O percentual passou de 20% em agosto para 10% em setembro.
Embora não seja possível determinar a migração individual dos votos, os dados mostram que Daniel ampliou sua preferência eleitoral justamente no período em que parte dos entrevistados passou a declarar uma escolha.
A Quaest ouviu 804 eleitores entre 20 e 23 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais. O registro do levantamento no TSE é GO-01667/2026.
Consulte a pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro.
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A sucessão de Caiado foi o ponto de partida da campanha
A disputa começou a ser desenhada antes de agosto. A saída de Ronaldo Caiado do governo estadual para disputar a Presidência da República levou Daniel Vilela ao comando do Executivo em 31 de março.
A mudança representou uma vantagem política para o emedebista, que deixou a condição de vice-governador e passou a concorrer à reeleição no exercício do cargo.
Daniel construiu sua campanha em torno da continuidade administrativa, da manutenção das políticas implantadas desde 2019 e da associação de sua imagem à gestão de Caiado.
A estratégia procurou transferir para a candidatura os resultados reivindicados pelo governo, especialmente nas áreas de segurança pública, equilíbrio fiscal, infraestrutura e saúde.
Na segurança, por exemplo, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgados pelo governo estadual apontaram que Goiás encerrou 2025 com taxa de 11,27 mortes violentas por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 15,97.
Esses indicadores passaram a integrar o discurso de continuidade apresentado pelo grupo governista.
Na saúde, o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) também foi utilizado como exemplo da ampliação da estrutura pública. Inaugurado em junho de 2025, o hospital especializado em oncologia infantojuvenil registrou 5,4 mil consultas ambulatoriais e mais de 2,4 mil sessões de quimioterapia em seu primeiro ano de funcionamento, conforme balanço apresentado pelo governo.
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Marconi tentou recuperar o eleitorado, mas enfrentou rejeição
Marconi Perillo entrou na disputa com o reconhecimento de quem governou Goiás por quatro mandatos. O candidato do PSDB procurou transformar sua experiência administrativa em argumento eleitoral e apresentou críticas à condução das políticas públicas estaduais.
A campanha tucana concentrou parte do discurso na necessidade de revisão dos serviços de saúde, no acompanhamento das filas de atendimento, na situação fiscal e na infraestrutura.
Marconi também procurou estabelecer uma comparação entre suas administrações e os governos de Caiado e Daniel.
Entretanto, a principal dificuldade de sua candidatura apareceu nas pesquisas de rejeição.
Na Quaest de setembro, 52% dos entrevistados declararam conhecer o ex-governador e não votar nele. O percentual era de 49% no levantamento anterior.
O resultado demonstra uma diferença entre reconhecimento público e capacidade de conquistar novos votos. Marconi é conhecido por grande parte do eleitorado, mas também enfrenta resistência de uma parcela expressiva dos entrevistados.
Esse fator ajuda a explicar por que sua candidatura não apresentou crescimento consistente durante a campanha, apesar da presença nos debates, entrevistas e agendas pelo interior.
Wilder tentou consolidar a direita em Goiás
O senador Wilder Morais estruturou sua candidatura pelo PL com o objetivo de reunir o eleitorado conservador e bolsonarista.
A chapa, que tem Ana Paula Rezende como candidata a vice, procurou combinar a identidade nacional do partido com a trajetória política da família de Iris Rezende em Goiás.
Durante a campanha, Wilder direcionou críticas à administração estadual, especialmente aos problemas da saúde, à situação fiscal e à cobrança da Taxa do Agro.
O candidato também procurou fortalecer sua presença nos municípios e explorar a relação entre o PL goiano e a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Entretanto, a tentativa de unificar a direita encontrou dificuldades. Parte das lideranças municipais ligadas ao campo conservador manteve relações políticas e administrativas com o governo Daniel, o que limitou a formação de uma frente estadual exclusivamente vinculada ao PL.
Nas pesquisas, Wilder apresentou crescimento numérico, mas não conseguiu reduzir de maneira expressiva a diferença para o primeiro colocado.
Na Quaest, passou de 12% para 15%. Na Paraná Pesquisas, apareceu com 18,5%, praticamente empatado com Marconi, que registrou 18,4%.
O desempenho colocou Wilder na disputa pela segunda vaga de um eventual segundo turno, sem alterar o favoritismo do atual governador.
PT buscou espaço com Luís César Bueno
A candidatura de Luís César Bueno procurou apresentar uma alternativa ao campo político que comanda Goiás desde 2019.
O candidato do PT defendeu maior participação do poder público na gestão dos serviços estaduais, ampliação dos investimentos em educação, valorização dos servidores e fortalecimento das políticas de desenvolvimento econômico.
Também buscou vincular sua candidatura ao governo federal e às possibilidades de ampliar a cooperação entre Goiás e a administração do presidente Lula.
Apesar dessas estratégias, Luís César permaneceu distante dos três principais candidatos.
Na Quaest, registrou 5%. Na Real Time Big Data, alcançou 8%. Já na Paraná Pesquisas, apareceu com 6,1%.
Luciana Amorim e Danilo Pinheiro também participaram da disputa, mas permaneceram abaixo de 2% no levantamento Paraná Pesquisas.
Debates expuseram diferenças entre as candidaturas
Os confrontos eleitorais deram visibilidade a temas que não apareceram com a mesma profundidade na propaganda oficial.
Saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, gestão fiscal e desenvolvimento econômico estiveram entre os principais assuntos discutidos.
Marconi procurou questionar a autoria de obras e comparar os resultados dos governos anteriores com os apresentados pela atual administração.
Wilder concentrou críticas em problemas administrativos e defendeu mudanças na condução do Executivo.
Luís César procurou diferenciar sua candidatura com propostas de maior participação estatal nos serviços públicos e ampliação dos investimentos sociais.
Daniel, por sua vez, defendeu o desempenho da gestão e buscou associar a continuidade administrativa aos resultados reivindicados pelo grupo de Caiado.
Os debates também evidenciaram uma característica da eleição goiana: embora os principais candidatos disputem posições distintas, parte dos confrontos ocorreu entre nomes que buscaram representar diferentes segmentos do eleitorado de direita e centro-direita.
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Rejeição pode influenciar um eventual segundo turno
O levantamento Quaest divulgado em 24 de setembro também permite avaliar a resistência eleitoral enfrentada pelas principais candidaturas.
| Candidato | Conhece e não votaria |
|---|---|
| Marconi Perillo | 52% |
| Wilder Morais | 28% |
| Daniel Vilela | 23% |
| Luís César Bueno | 21% |
A interpretação exige considerar o grau de conhecimento de cada candidato. Marconi é conhecido por uma parcela maior do eleitorado, enquanto Wilder e Luís César ainda apresentam índices expressivos de desconhecimento.
Mesmo com essa ressalva, a rejeição representa uma variável para um eventual segundo turno, quando os eleitores terão apenas duas alternativas.
Daniel apresenta uma vantagem nesse indicador em relação aos dois principais adversários, fator que também aparece nas simulações de confronto direto.
Daniel lidera os cenários de segundo turno
Na pesquisa Quaest de setembro, o governador aparece com 53% das intenções de voto contra Marconi Perillo, que registra 27%.
Em uma disputa contra Wilder Morais, Daniel alcança 61%, enquanto o senador aparece com 14%.
A Real Time Big Data, divulgada em 22 de setembro, também coloca o emedebista na primeira posição nos dois confrontos.
| Cenário | Daniel Vilela | Adversário |
|---|---|---|
| Quaest: Daniel x Marconi | 53% | 27% |
| Quaest: Daniel x Wilder | 61% | 14% |
| Real Time: Daniel x Marconi | 58% | 28% |
| Real Time: Daniel x Wilder | 55% | 31% |
Os resultados indicam que o favoritismo de Daniel não depende exclusivamente da fragmentação entre Marconi e Wilder no primeiro turno.
O governador também aparece à frente quando cada um dos adversários é apresentado individualmente ao eleitor.
A Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores entre 17 e 21 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Confira os cenários da Real Time Big Data.
Goiás poderá repetir a vitória no primeiro turno de 2022?
Nas eleições anteriores, Ronaldo Caiado foi reeleito governador com 51,81% dos votos válidos, equivalentes a 1.806.892 votos. Daniel Vilela integrava a chapa vencedora como candidato a vice.
Quatro anos depois, o emedebista tenta repetir o desempenho eleitoral do grupo político.
Na Paraná Pesquisas de setembro, Daniel aparece com aproximadamente 50,5% das intenções de voto quando considerados apenas os percentuais atribuídos aos candidatos, excluídos brancos, nulos e indecisos.
O resultado coloca sua candidatura no limite da maioria absoluta necessária para vencer em primeiro turno.
Entretanto, o percentual não representa uma garantia de vitória. A margem de erro do levantamento e a distribuição dos votos ainda não definidos permitem diferentes resultados.
Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos neste domingo, os dois mais votados disputarão uma nova eleição em 25 de outubro.
Os dados oficiais de 2022 podem ser consultados no balanço do primeiro turno divulgado pelo TRE-GO.
O que poderá decidir a eleição em Goiás?
A análise dos levantamentos e da trajetória das candidaturas aponta quatro fatores que poderão influenciar o resultado deste domingo.
O primeiro é a capacidade de Daniel Vilela transformar sua liderança nas pesquisas em comparecimento efetivo às urnas. O governador conseguiu ampliar as intenções de voto durante a campanha, mas ainda depende do comportamento do eleitorado no dia da eleição.
O segundo envolve a disputa entre Marconi Perillo e Wilder Morais. A diferença reduzida entre os dois mantém indefinida a segunda posição. Caso haja segundo turno, pequenas variações poderão determinar quem enfrentará Daniel.
O terceiro fator é o desempenho das demais candidaturas. Mesmo sem aparecerem próximas da liderança, os votos atribuídos a Luís César Bueno, Luciana Amorim e Danilo Pinheiro entram no cálculo dos votos válidos e podem influenciar a necessidade de uma nova votação.
Por último, está a abstenção. A composição do eleitorado que efetivamente comparecer às seções eleitorais poderá alterar os percentuais registrados nos levantamentos de intenção de voto.
Quem chega favorito ao governo de Goiás?
Daniel Vilela encerra a campanha como favorito à reeleição. A conclusão decorre da convergência entre os levantamentos de setembro, do crescimento registrado pela Quaest e da vantagem apresentada nas simulações de segundo turno.
Marconi e Wilder chegam à votação com condições semelhantes na disputa pelo segundo lugar, embora enfrentem obstáculos diferentes. O ex-governador possui reconhecimento público, mas apresenta elevada rejeição. O senador do PL registra menor resistência declarada, porém ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua presença entre o eleitorado.
O cenário indica uma candidatura governista consolidada e duas forças oposicionistas que não conseguiram, até os levantamentos consultados, reduzir significativamente a distância para o primeiro colocado.
A possibilidade de vitória no primeiro turno permanece concreta, mas a diferença entre alcançar ou não a maioria absoluta poderá ser pequena.
Assim, a principal conclusão da reta final é que Daniel Vilela chega como favorito ao Palácio das Esmeraldas. O resultado das urnas determinará se o eleitorado goiano encerrará a disputa neste domingo ou prolongará a eleição até 25 de outubro.