Michelle lidera Senado no DF; segundo voto decide duelo entre Bia e Leila

Michelle lidera Senado no DF; segundo voto decide duelo entre Bia e Leila
Michelle lidera as pesquisas, mas Bia Kicis e Leila do Vôlei disputam a segunda posição. Veja a evolução dos levantamentos, os números das duas escolhas e os cenários para domingo.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 7

Datafolha revela que ex-primeira-dama concentra 37% das primeiras escolhas, enquanto Bia Kicis lidera a segunda opção com 29%; Leila do Vôlei mantém competitividade nas duas posições e Erika Kokay tenta ampliar espaço entre eleitores de oposição

A disputa pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado chega à véspera das Eleições 2026 com Michelle Bolsonaro (PL) na liderança das principais pesquisas, mas uma indefinição sobre quem poderá conquistar a segunda cadeira. O levantamento Datafolha divulgado em 1º de outubro aponta a ex-primeira-dama com 23% das intenções de voto, seguida por Bia Kicis (PL) e Leila do Vôlei (PDT), empatadas numericamente com 18%. Erika Kokay (PT) aparece com 13%.

A vantagem de Michelle se repete nos levantamentos Quaest e Real Time Big Data. Entretanto, os dados detalhados apresentam uma característica que pode definir a composição da bancada do Distrito Federal: as candidatas possuem desempenhos bastante diferentes quando os entrevistados são questionados separadamente sobre a primeira e a segunda escolhas.

No Datafolha, Michelle alcança 37% das primeiras opções, mas registra 10% das segundas. Bia faz o caminho inverso: tem 8% na primeira escolha e lidera a segunda, com 29%. Leila aparece com 18% nas duas perguntas, enquanto Erika marca 17% e 10%, respectivamente.

A distribuição coloca em discussão a possibilidade de o Partido Liberal conquistar simultaneamente as duas cadeiras em renovação. Para isso, Michelle e Bia precisam terminar entre as duas candidatas mais votadas. Leila, que busca a reeleição, representa a concorrência mais próxima, enquanto Erika mantém uma base eleitoral relevante.

O resultado também terá consequências nacionais. A renovação de dois terços do Senado poderá modificar o equilíbrio de forças políticas na Casa, responsável pela análise de projetos aprovados pela Câmara dos Deputados, aprovação de indicações para tribunais superiores e julgamento de autoridades nas hipóteses previstas pela Constituição.

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O que mostram as pesquisas para o Senado no Distrito Federal

Três dos principais levantamentos divulgados na reta final apresentam Michelle Bolsonaro na primeira colocação. A disputa seguinte envolve Leila do Vôlei e Bia Kicis, que registram diferenças pequenas e dentro das respectivas margens de erro.

Candidata Quaest 29/9 Real Time 29/9 Datafolha 1º/10
Michelle Bolsonaro (PL) 26% 27% 23%
Leila do Vôlei (PDT) 20% 18% 18%
Bia Kicis (PL) 18% 18% 18%
Erika Kokay (PT) 16% 16% 13%

Os percentuais representam os resultados consolidados das duas escolhas, apresentados em uma escala de 100% por cada instituto. As pesquisas têm metodologias próprias e não constituem uma única série histórica.

Na Quaest, Michelle registra seis pontos percentuais de vantagem sobre Leila. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, a diferença está no limite do empate técnico.

Na Real Time Big Data, Michelle chega a 27%, nove pontos acima de Leila e Bia, empatadas com 18%.

O Datafolha apresenta Michelle com 23%, cinco pontos acima das duas concorrentes mais próximas, com margem de erro de três pontos percentuais.

O conjunto dos resultados aponta a ex-primeira-dama como a candidata com liderança numérica mais consistente, sem assegurar antecipadamente sua eleição.

A segunda vaga permanece mais disputada.

Confira a pesquisa Datafolha divulgada em 1º de outubro.

Primeiro e segundo votos revelam comportamentos diferentes

A pesquisa Datafolha permite identificar uma distribuição que não aparece integralmente no resultado consolidado.

Candidata Primeiro voto Segundo voto
Michelle Bolsonaro 37% 10%
Bia Kicis 8% 29%
Leila do Vôlei 18% 18%
Erika Kokay 17% 10%

A comparação demonstra que Michelle é citada com maior frequência como primeira escolha. Bia concentra parcela maior de suas intenções de voto na segunda opção.

Leila apresenta um desempenho equilibrado, com 18% em ambas as perguntas. Esse comportamento a mantém competitiva mesmo diante da concentração de votos do PL.

Na pesquisa Quaest, realizada entre 25 e 28 de setembro, a distribuição apresentou característica semelhante.

Michelle registrou 42% na primeira escolha e 10% na segunda. Bia marcou 8% na primeira e 28% na segunda. Leila alcançou 18% e 22%, respectivamente.

Erika apareceu com 20% das primeiras escolhas e 13% das segundas.

O resultado demonstra que a disputa não pode ser interpretada apenas pela ordem de preferência indicada inicialmente pelos eleitores.

Os dois votos são contabilizados para definir as duas candidatas mais votadas. Não existe uma eleição independente para cada posição apresentada na urna.

Bia cresceu durante setembro e passou a disputar diretamente a segunda cadeira

A evolução das pesquisas mostra que Bia Kicis apresentou crescimento numérico durante o período oficial da campanha.

A comparação das quatro rodadas do Datafolha realizadas desde agosto demonstra o movimento:

Candidata Agosto 11/9 24/9 1º/10
Michelle Bolsonaro 19% 21% 22% 23%
Leila do Vôlei 16% 18% 19% 18%
Bia Kicis 11% 15% 15% 18%
Erika Kokay 12% 14% 15% 13%

Bia passou de 11% para 18% entre agosto e outubro, avanço numérico de sete pontos percentuais. No mesmo período, Michelle variou de 19% para 23%, enquanto Leila saiu de 16% para 18%.

Erika apresentou oscilação menor, de 12% para 13%, depois de alcançar 15% na pesquisa anterior.

Embora essas diferenças não representem, isoladamente, confirmação estatística de crescimento em todas as rodadas, a evolução aponta Bia como a candidata que apresentou maior avanço numérico na série considerada.

O dado ajuda a explicar por que a disputa pela segunda cadeira chegou à última semana com Leila e Bia em situação semelhante.

Michelle Bolsonaro chega à disputa com capital político nacional

A candidatura de Michelle Bolsonaro foi construída em meio à reorganização do Partido Liberal depois da condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ex-primeira-dama chegou a enfrentar divergências internas que colocaram em dúvida sua permanência no partido. Em julho, a governadora Celina Leão (PP) e a senadora Damares Alves (Republicanos) participaram de articulações para evitar sua saída da legenda.

Naquele momento, Michelle deixou o comando do PL Mulher, mas preservou a possibilidade de disputar o Senado pelo Distrito Federal.

A decisão manteve seu nome no projeto eleitoral do grupo bolsonarista e permitiu que a candidatura fosse estruturada durante o período das convenções partidárias.

A campanha apresentou Michelle como representante das pautas conservadoras associadas ao ex-presidente, especialmente na defesa da família, da liberdade religiosa e dos valores defendidos pelo PL.

Sua presença também fortaleceu o palanque da governadora Celina Leão, que disputa a reeleição e mantém relações políticas com a base conservadora do Distrito Federal.

A aproximação com Damares acrescentou outro elemento ao projeto eleitoral: a possibilidade de ampliar a presença de representantes desse grupo na bancada distrital do Senado.

A força eleitoral de Michelle aparece tanto nas pesquisas estimuladas quanto nas espontâneas, quando os entrevistados precisam mencionar os candidatos sem receber uma lista de nomes.

No Datafolha de 1º de outubro, ela registrou 18% na consulta espontânea, contra 14% de Bia, 11% de Leila e 8% de Erika.

O resultado demonstra maior lembrança espontânea de seu nome, embora ainda exista uma parcela expressiva de eleitores sem as duas escolhas consolidadas.

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Bia Kicis tenta converter militância conservadora em uma cadeira no Senado

Deputada federal desde 2019, Bia Kicis construiu sua trajetória política com atuação no campo conservador e alinhamento ao bolsonarismo.

Advogada e procuradora, apresenta uma campanha centrada em temas como liberdade de expressão, segurança jurídica, defesa de pautas conservadoras e críticas à atuação do Judiciário.

Sua candidatura também recebeu apoio de lideranças que integram o campo político da governadora Celina Leão.

A estratégia procura conectar o eleitorado que já reconhece Michelle como uma de suas representantes à candidatura de Bia para a outra cadeira.

A diferença entre os percentuais de primeira e segunda escolha é uma das características mais relevantes de seu desempenho.

Bia aparece com 29% na segunda opção do Datafolha, contra 8% na primeira. Na Quaest, os percentuais são 28% e 8%.

O resultado sugere uma concentração de suas intenções de voto na segunda escolha, mas não permite afirmar, sem dados específicos de cruzamento individual, que todos esses eleitores tenham Michelle como primeira preferência.

Politicamente, o objetivo do PL é encerrar a votação com as duas candidatas entre as mais votadas, ampliando a representação da legenda no Senado.

Leila do Vôlei tenta preservar mandato e impedir concentração das duas vagas no PL

A senadora Leila Barros (PDT) é a única entre as quatro principais candidatas que disputa a reeleição para o cargo.

Eleita em 2018, quando recebeu 467.787 votos, equivalentes a 17,76% dos votos válidos, Leila foi a primeira mulher eleita senadora pelo Distrito Federal.

Antes da atuação política, construiu carreira como atleta da seleção brasileira de voleibol e conquistou duas medalhas olímpicas de bronze.

No Senado, sua atuação está associada a pautas relacionadas ao esporte, direitos das mulheres, proteção social e políticas públicas.

A candidatura de 2026 busca apresentar a experiência parlamentar como argumento para a continuidade do mandato.

Ao contrário de Michelle e Bia, Leila não depende exclusivamente da identificação com uma liderança nacional. Sua candidatura procura reunir reconhecimento pessoal, trajetória no esporte, atuação legislativa e presença entre eleitores de diferentes segmentos políticos.

O comportamento registrado nas pesquisas mostra essa característica.

No Datafolha, Leila aparece com 18% tanto na primeira quanto na segunda escolha. Na Quaest, registra 18% e 22%, respectivamente.

Além disso, o cruzamento do Datafolha com a disputa pelo governo distrital revela que Leila alcança intenções de voto entre eleitores de campos políticos distintos.

Essa distribuição pode ser relevante para impedir uma eventual vitória simultânea das duas candidatas do PL.

Erika Kokay disputa espaço entre os eleitores de oposição

A deputada federal Erika Kokay, do PT, representa a principal candidatura de esquerda entre os quatro nomes mais competitivos ao Senado pelo Distrito Federal.

Com trajetória no movimento sindical e mandatos parlamentares, sua campanha está associada à defesa dos serviços públicos, dos direitos trabalhistas, das políticas sociais e dos direitos humanos.

A candidata também utiliza sua atuação na Câmara dos Deputados para apresentar propostas relacionadas à proteção de mulheres, crianças e populações em situação de vulnerabilidade.

Nas pesquisas da reta final, Erika aparece com percentuais entre 13% e 16%, abaixo dos resultados consolidados de Michelle, Leila e Bia.

Entretanto, sua presença ganha relevância quando analisada a distribuição das intenções de voto entre eleitores dos candidatos ao governo distrital.

No eleitorado de Leandro Grass (PT), Erika e Leila concentram a maior parte das preferências para o Senado.

Esse comportamento indica que as duas candidatas compartilham parte do mesmo espaço eleitoral, embora pertençam a partidos diferentes.

A possibilidade de uma composição de votos entre ambas representa uma das alternativas ao resultado pretendido pelo PL.

O eleitor de Celina e o eleitor de Grass votam de maneira diferente para o Senado

O cruzamento entre as intenções de voto para governador e senador permite observar como as preferências políticas locais influenciam a disputa pelas duas cadeiras.

No Datafolha divulgado em 1º de outubro, entre os eleitores que declararam apoio à governadora Celina Leão, Michelle Bolsonaro recebeu 35% das intenções de voto para o Senado.

Bia Kicis apareceu com 29%, Leila registrou 12% e Erika teve 5%.

Já entre os entrevistados que manifestaram preferência por Leandro Grass, a distribuição foi diferente: Leila alcançou 40% e Erika registrou 39%. As demais candidaturas ficaram abaixo de 5%.

Eleitorado para governador Principais preferências ao Senado
Celina Leão Michelle 35%; Bia 29%; Leila 12%
Leandro Grass Leila 40%; Erika 39%

Os dados revelam uma disputa que não se resume à popularidade individual das candidatas.

O apoio a Celina está associado a maior preferência pelas duas representantes do PL. No campo de Grass, Leila e Erika concentram as intenções de voto.

A configuração também demonstra que o eleitorado de Leila apresenta uma distribuição partidária diferente daquela registrada por Michelle e Bia.

Por outro lado, esses percentuais são recortes dos respectivos grupos de eleitores e não devem ser confundidos com a intenção de voto do conjunto da população do Distrito Federal.

A campanha teve debates esvaziados pelas principais candidatas

A disputa também foi marcada pela ausência de nomes que lideravam as pesquisas em encontros destinados à apresentação de propostas.

No debate promovido pelo g1 em setembro, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Leila do Vôlei não compareceram.

Michelle justificou a ausência por compromissos relacionados aos cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Leila informou incompatibilidade de agenda. Na ocasião, a equipe de Bia não apresentou justificativa específica.

Participaram do encontro Erika Kokay, Guto Felício, Marley e Ronaldo Fonseca.

No debate promovido pelo Metrópoles, em 24 de setembro, as três candidatas também não participaram. O encontro reuniu Erika, Guto Felício, Marley, Ronaldo Fonseca e Sebastião Coelho.

As ausências limitaram a possibilidade de confronto direto entre as candidatas com maior intenção de voto.

O episódio também mostrou uma campanha em que a exposição nas redes sociais, a mobilização partidária e as agendas próprias tiveram importância na comunicação das candidaturas.

A disputa pelo Senado reproduz parte da polarização nacional

A eleição do Distrito Federal possui características políticas relacionadas à presença da administração federal, dos servidores públicos e das instituições nacionais no território.

Em 2026, essa condição ganhou relevância adicional diante da candidatura de Michelle Bolsonaro e da participação de Erika Kokay, representante do PT.

Entretanto, os dados indicam que o cenário não pode ser reduzido a um confronto direto entre as duas.

Bia disputa votos dentro do mesmo campo partidário de Michelle, enquanto Leila procura preservar uma base eleitoral que não se limita ao campo petista.

A fragmentação significa que o desempenho dos candidatos à Presidência e ao governo distrital não será reproduzido automaticamente na escolha dos senadores.

Cada eleitor poderá combinar candidatos de partidos diferentes, sem obrigação de seguir as alianças partidárias estabelecidas para os demais cargos.

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Duas cadeiras estarão em disputa; Damares mantém mandato até 2031

O Distrito Federal possui três representantes no Senado. Em 2026, estarão em disputa as cadeiras conquistadas por Leila Barros e Izalci Lucas nas eleições de 2018.

Naquele ano, os dois candidatos mais votados foram:

Eleito em 2018 Votos Percentual
Leila Barros 467.787 17,76%
Izalci Lucas 403.735 15,33%

Leila busca a reeleição em 2026. Izalci não integra a lista de candidatos ao Senado consultada para esta reportagem.

A terceira cadeira pertence a Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022 com 714.562 votos, equivalentes a 45,31% dos votos válidos daquele pleito.

Seu mandato permanece até 2031, independentemente do resultado da eleição deste domingo.

A composição das duas novas vagas poderá, portanto, alterar o alinhamento político da bancada do Distrito Federal durante o período de 2027 a 2035.

Consulte a série histórica das eleições para o Senado no Distrito Federal, publicada pela Agência Senado.

Quem chega favorito às duas vagas do Senado pelo DF?

A análise conjunta das pesquisas Datafolha, Quaest e Real Time Big Data aponta Michelle Bolsonaro como a candidatura mais bem posicionada na reta final.

A ex-primeira-dama lidera os três levantamentos e concentra os maiores percentuais de primeira escolha. Sua vantagem numérica apresenta maior regularidade do que a registrada pelas demais candidatas.

A segunda cadeira permanece aberta.

Bia Kicis apresentou crescimento numérico durante setembro e lidera a segunda opção de voto nos levantamentos que divulgaram essa divisão. Leila do Vôlei mantém desempenho equilibrado entre as duas escolhas e aparece empatada com Bia no Datafolha e na Real Time Big Data.

Erika Kokay registra percentuais inferiores aos das três primeiras colocadas, mas permanece competitiva e concentra parte expressiva das intenções de voto entre os eleitores de Leandro Grass.

O cenário também revela uma disputa sobre a futura composição partidária do Senado.

A eleição simultânea de Michelle e Bia significaria a conquista das duas vagas pelo PL. A vitória de Leila preservaria uma representação do PDT. Uma eventual eleição de Erika ampliaria a presença do PT na bancada distrital.

As pesquisas realizadas até esta véspera, entretanto, não autorizam declarar antecipadamente a conquista de qualquer cadeira.

A conclusão é que Michelle chega como favorita numérica mais consistente, enquanto Bia e Leila protagonizam a disputa mais próxima. Erika mantém condições de competir, embora precise superar a distância apresentada nos levantamentos consolidados.

Neste domingo (4), os dois nomes com maior votação total serão eleitos para um mandato de oito anos. Não haverá segundo turno para o Senado.

METODOLOGIA DAS PESQUISAS
Instituto Entrevistas Margem de erro Registro TSE
Datafolha 910 ±3 p.p. DF-00905/2026
Quaest 1.104 ±3 p.p. DF-02515/2026
Real Time Big Data 1.600 ±2 p.p. DF-04637/2026

Os levantamentos informam nível de confiança de 95%. A classificação dos candidatos corresponde às intenções de voto

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