Riedel chega à véspera com 66% dos votos válidos e pode liquidar eleição em MS no primeiro turno

Riedel chega à véspera com 66% dos votos válidos e pode liquidar eleição em MS no primeiro turno
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 5

Governador ampliou vantagem durante setembro, reúne nove partidos e lidera todas as pesquisas da reta final; Fábio Trad permanece em segundo, enquanto Delcídio e Catan não conseguiram reduzir a distância para o candidato à reeleição

A eleição para governador de Mato Grosso do Sul chega à véspera do primeiro turno, neste sábado (3), com Eduardo Riedel (PP) na condição de favorito à reeleição. O atual chefe do Executivo lidera os levantamentos divulgados ao longo da campanha e alcançou 66,3% dos votos válidos estimados na pesquisa Novo Ibrape/Campo Grande News publicada neste sábado. O principal adversário, Fábio Trad (PT), aparece com 19,9%.

A distância entre os dois candidatos é de 46,4 pontos percentuais. O levantamento também apresenta Delcídio Amaral (PRD) com 5,9% e João Henrique Catan (Novo) com 4,4% dos votos válidos estimados.

O resultado é semelhante ao registrado pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), em levantamento divulgado na sexta-feira (2). Nele, Riedel aparece com 66,84%, contra 18,78% de Fábio Trad.

A liderança do governador não representa apenas a manutenção de uma vantagem construída antes da campanha. Na série do Novo Ibrape, Riedel passou de 46,2% das intenções de voto estimuladas em março para 55,4% na pesquisa mais recente, crescimento numérico de 9,2 pontos percentuais.

Durante o mesmo período, Fábio Trad oscilou de 15,7% para 16,6%, enquanto os demais candidatos permaneceram com percentuais inferiores.

A configuração eleitoral resulta da combinação entre a estrutura política construída pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, a administração de Riedel desde 2023, a formação de uma coligação com nove partidos e a dificuldade dos adversários de transformar as críticas à atual gestão em crescimento consistente nas pesquisas.

O cenário coloca Mato Grosso do Sul entre os estados com possibilidade de definição da eleição para governador já neste domingo (4). Para isso, Riedel precisará obter mais da metade dos votos válidos efetivamente contabilizados pela Justiça Eleitoral.

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Pesquisa da véspera coloca Riedel com 66,3% dos votos válidos

O levantamento Novo Ibrape/Campo Grande News, divulgado neste sábado, ouviu mil eleitores entre 27 de setembro e 2 de outubro. A margem de erro informada é de 3,1 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Na pesquisa estimulada, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Riedel registra 55,4% das intenções de voto. Fábio Trad aparece com 16,6%, seguido por Delcídio Amaral, com 4,9%, e João Henrique Catan, com 3,7%.

Confira o resultado completo:

Candidato Estimulada Votos válidos estimados
Eduardo Riedel (PP) 55,4% 66,3%
Fábio Trad (PT) 16,6% 19,9%
Delcídio Amaral (PRD) 4,9% 5,9%
João Henrique Catan (Novo) 3,7% 4,4%
Lucien Rezende (PSOL) 1,1% 1,3%
Renato Gomes (DC) 0,8% 1,0%
Jeferson Bezerra (Agir) 0,6% 0,7%
Daniel Lemes (PCO) 0,4% 0,5%

Na estimulada, os indecisos representam 9,9%, enquanto brancos e nulos somam 6,6%.

Os percentuais de votos válidos estimados são calculados excluindo esses grupos. O procedimento permite observar como ficaria a distribuição das preferências declaradas entre os candidatos, mas não equivale à apuração oficial.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número MS-09931/2026.

Confira os números completos da pesquisa Novo Ibrape.

IPR também aponta possibilidade de vitória no primeiro turno

A última pesquisa IPR/Correio do Estado, divulgada na sexta-feira (2), apresenta uma configuração semelhante.

Riedel registra 66,84% dos votos válidos estimados, enquanto Fábio Trad aparece com 18,78%. Delcídio alcança 6,43%, e João Henrique Catan tem 4,23%.

Na pesquisa estimulada, considerando todos os entrevistados, o governador registra 50,38%, contra 14,16% de Trad.

Os indecisos representam 17,09%, enquanto brancos e nulos somam 7,53%.

O levantamento entrevistou 784 eleitores entre 26 e 30 de setembro, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro eleitoral é MS-08995/2026.

A vantagem do governador permanece elevada nos dois institutos.

Entretanto, os resultados não devem ser somados ou transformados em uma média única, porque cada estudo utiliza amostra e metodologia próprias.

Consulte a pesquisa IPR/Correio do Estado.

Como Riedel ampliou a liderança desde o início do ano

A série histórica do Novo Ibrape permite observar a evolução da disputa durante a pré-campanha e o período oficial de propaganda eleitoral.

Entre março e julho, Riedel permaneceu praticamente estável, com percentuais próximos de 46% na pesquisa estimulada.

A mudança ocorreu a partir de setembro.

Período Riedel Fábio Trad
Março 46,2% 15,7%
Maio 46,6% 17,5%
Julho 46,1% 18,2%
13 de setembro 50,2% 13,1%
28 de setembro 54,5% 14,9%
2 de outubro 55,4% 16,6%

O governador terminou a sequência com crescimento de 9,2 pontos percentuais em relação a março.

Fábio Trad apresentou seu maior resultado em julho, quando chegou a 18,2%. Durante setembro, recuou numericamente e voltou a crescer na reta final, mas sem reduzir de forma expressiva a distância para o primeiro colocado.

Os dados mostram que a ampliação da vantagem governista ocorreu principalmente no período de maior exposição das candidaturas.

Também houve redução das respostas de indecisos, brancos e nulos. Juntos, esses grupos passaram de 32,6% em março para 16,5% na última pesquisa.

Não é possível afirmar que todos os eleitores que deixaram de integrar esses grupos migraram diretamente para Riedel. Entretanto, a evolução simultânea desses indicadores ajuda a dimensionar a consolidação da preferência eleitoral ao longo da campanha.

Quaest confirma liderança e revela crescimento da aprovação do governo

A pesquisa Quaest/TV Morena, divulgada em 25 de setembro, também apresentou Riedel em primeiro lugar.

O governador registrou 51% das intenções de voto, contra 12% de Fábio Trad e 6% de Delcídio Amaral. João Henrique Catan apareceu com 3%.

O levantamento ouviu 804 eleitores entre os dias 21 e 24 de setembro, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro é MS-09580/2026.

Mais importante para compreender a trajetória da campanha é a avaliação da administração estadual.

Na rodada de agosto, Riedel registrava aprovação de 62%. Em setembro, o índice alcançou 73%, crescimento numérico de 11 pontos percentuais.

Na última pesquisa, 10% desaprovavam a administração e 17% não souberam ou não responderam.

A avaliação positiva do governo, correspondente às respostas ótimo e bom, chegou a 54%. Outros 31% classificaram a gestão como regular, enquanto 7% avaliaram negativamente.

Além disso, 73% dos entrevistados consideraram que Riedel merecia ser reeleito.

Os resultados ajudam a compreender o cenário eleitoral. A campanha governista encontrou um ambiente no qual a maioria dos entrevistados aprovava a administração e demonstrava disposição favorável à continuidade do atual chefe do Executivo.

Essa relação não representa transferência automática de aprovação para votos, mas constitui um indicador relevante para explicar a vantagem observada nas pesquisas.

Confira a avaliação do governo na pesquisa Quaest/TV Morena.

Riedel reuniu nove partidos e manteve Barbosinha na vice

A construção política da candidatura também contribuiu para diferenciar a campanha governista das demais.

Riedel oficializou a candidatura à reeleição pelo Progressistas em convenção realizada em 1º de agosto, em Campo Grande.

A coligação reuniu PP, União Brasil, PL, PSDB, Cidadania, MDB, Republicanos, Avante e PSD.

Barbosinha (Republicanos) permaneceu como candidato a vice-governador.

A composição permitiu reunir forças políticas vinculadas ao antigo governo Reinaldo Azambuja, lideranças municipais e partidos com diferentes posições no cenário nacional.

A presença simultânea de PL, MDB, PP e PSDB demonstra que a disputa estadual não reproduziu integralmente a polarização da eleição presidencial.

O grupo governista procurou manter uma aliança baseada na continuidade administrativa e na capacidade de articulação com prefeitos, deputados e representantes dos municípios.

Essa organização também ficou evidente nas candidaturas ao Senado de Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos pelo PL.

A formação da coligação criou uma estrutura de campanha que os adversários não conseguiram reproduzir na mesma dimensão.

O Diário Tocantinense já havia identificado essa diferença no levantamento nacional publicado em agosto, quando apontou Riedel em situação favorável na disputa estadual e apresentou os primeiros dados sobre financiamento das campanhas.

Naquele recorte, elaborado com informações públicas encaminhadas à Justiça Eleitoral, a campanha de Riedel registrava aproximadamente R$ 2,419 milhões em despesas declaradas.

Os valores correspondiam à atualização disponível em 25 de agosto, não ao balanço financeiro definitivo da campanha.

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Fábio Trad tentou transformar a eleição em avaliação dos serviços públicos

A principal candidatura de oposição ao atual governador é a de Fábio Trad, ex-deputado federal que disputa o Executivo pelo PT.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, oficializou sua candidatura em julho, com Gilda Maria como candidata a vice-governadora.

A estratégia eleitoral procurou associar a experiência parlamentar de Trad à defesa de mudanças na administração estadual e à aproximação com o governo federal.

Durante a campanha, o petista concentrou críticas na distribuição dos resultados do crescimento econômico de Mato Grosso do Sul, argumentando que a expansão da atividade produtiva não havia sido acompanhada, na mesma proporção, pela melhoria dos serviços públicos e das condições de vida da população.

Saúde, educação, habitação e valorização dos servidores estiveram entre os principais assuntos apresentados.

Na educação, Trad defendeu novos concursos, maior valorização dos profissionais, equiparação salarial entre professores contratados e efetivos e ampliação das parcerias com instituições públicas de ensino.

Também apresentou a proposta de colocar o ensino médio de Mato Grosso do Sul entre os três melhores do país.

Na habitação, defendeu ampliar a cooperação com o governo federal, especialmente por meio de programas habitacionais e ações de regularização fundiária.

Apesar de ocupar a segunda posição nas pesquisas, Trad não conseguiu transformar o debate sobre a administração estadual em crescimento suficiente para ameaçar a liderança de Riedel.

No último Novo Ibrape, registrou 16,6% na estimulada, contra 55,4% do governador.

Delcídio voltou à disputa estadual, mas permaneceu distante dos líderes

Ex-senador e candidato ao governo pelo PRD, Delcídio Amaral procurou apresentar uma candidatura baseada na experiência administrativa e parlamentar.

Durante a campanha, defendeu medidas de diversificação econômica, investimentos em tecnologia, revisão de incentivos fiscais e ampliação da qualificação profissional.

Também apresentou propostas relacionadas à infraestrutura de fronteira, ao aproveitamento do gás natural e à integração entre os diferentes modais de transporte.

No debate da TV Morena, defendeu que Mato Grosso do Sul avance na industrialização e agregue valor à produção estadual, com atenção especial aos setores de proteína animal, celulose, mineração e energia.

O candidato também questionou a necessidade de ampliar as contrapartidas exigidas das empresas beneficiadas por incentivos fiscais.

Nas pesquisas, entretanto, seu desempenho permaneceu distante dos dois primeiros colocados.

Na Quaest de setembro, registrou 6%. No Novo Ibrape divulgado neste sábado, apareceu com 4,9% na estimulada e 5,9% dos votos válidos estimados.

Delcídio chegou à reta final sem demonstrar crescimento suficiente para alcançar Fábio Trad na disputa pela segunda posição.

Quem chega favorito ao governo de Mato Grosso do Sul?

Eduardo Riedel chega ao primeiro turno com o favoritismo mais consistente entre os candidatos ao governo estadual.

A conclusão decorre de quatro indicadores: liderança em todos os principais levantamentos consultados, crescimento numérico na série Novo Ibrape, aprovação majoritária da administração na Quaest e vantagem expressiva nas simulações de segundo turno.

Fábio Trad permanece como principal adversário, mas encerra a campanha com distância superior a 30 pontos percentuais na pesquisa estimulada mais recente.

Delcídio Amaral e João Henrique Catan não apresentaram, nos levantamentos da reta final, desempenho suficiente para se aproximar dos dois primeiros colocados.

O cenário também demonstra o peso da aliança construída por Riedel, que reuniu partidos de diferentes posições no quadro nacional, manteve a estrutura política vinculada ao ex-governador Reinaldo Azambuja e defendeu a continuidade administrativa.

A possibilidade de vitória no primeiro turno é sustentada pelos levantamentos divulgados neste sábado e na sexta-feira. Contudo, a definição depende do comparecimento e da totalização oficial dos votos.

A votação em Mato Grosso do Sul ocorrerá neste domingo (4), das 7h às 16h, pelo horário local, equivalente às 8h às 17h de Brasília.

NOTA METODOLÓGICA

Esta análise considera levantamentos divulgados até 3 de outubro de 2026. Pesquisas de institutos diferentes foram apresentadas separadamente. A evolução histórica utiliza apenas rodadas do Novo Ibrape, preservando a comparação entre levantamentos de uma mesma série.

Os percentuais de votos válidos estimados não representam resultados oficiais nem projeções próprias do Diário Tocantinense.

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