Brasil chega às urnas dividido: Presidência indefinida e 54 vagas no Senado podem redesenhar o poder

Brasil chega às urnas dividido: Presidência indefinida e 54 vagas no Senado podem redesenhar o poder
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de outubro de 2026 5

Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao primeiro turno com diferenças pequenas nas pesquisas; disputas estaduais apresentam favoritos, viradas e empates técnicos, enquanto eleição para o Congresso poderá determinar a governabilidade a partir de 2027

O Brasil chega à véspera das Eleições Gerais de 2026, neste sábado (3), com dois cenários políticos distintos. Na disputa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concentram as intenções de voto e aparecem próximos nos levantamentos da reta final. Nos estados, a configuração é diferente: governadores e candidatos à sucessão apresentam vantagens expressivas em algumas regiões, enquanto Bahia, Ceará, Pernambuco e outras unidades da Federação mantêm disputas tecnicamente empatadas.

Entretanto, o resultado de domingo (4) não definirá apenas quem comandará o Executivo federal e os governos estaduais. A renovação de 54 das 81 cadeiras do Senado representa uma das principais variáveis para o equilíbrio institucional do próximo mandato presidencial. A Câmara dos Deputados também terá suas 513 vagas submetidas à votação.

Ao todo, 158.765.543 brasileiros estão aptos a participar das eleições, conforme a atualização disponível na Central de Divulgação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa um crescimento aproximado de 2,3 milhões de eleitores em relação a 2022.

A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, com adequação dos horários locais nos estados que possuem fusos diferentes.

A análise conjunta das pesquisas apresenta três tendências nacionais: a disputa presidencial permanece concentrada entre PT e PL; os governos estaduais não reproduzem integralmente a divisão entre Lula e Flávio; e a eleição para o Legislativo poderá modificar a capacidade de articulação do próximo presidente com o Congresso.

Esse último fator ganha importância porque a aprovação de leis, a definição do Orçamento, as indicações de autoridades e os instrumentos de fiscalização do Executivo dependem diretamente da composição parlamentar.

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Lula e Flávio chegam à véspera com disputa presidencial apertada

Os levantamentos nacionais divulgados durante a reta final demonstram concentração das intenções de voto em Lula e Flávio Bolsonaro.

A pesquisa CNT/MDA, divulgada neste sábado, apresenta Lula com 43,1% das intenções de voto totais, contra 38% de Flávio. Na estimativa de votos válidos, o presidente registra 47,8%, enquanto o senador alcança 42,1%.

O estudo entrevistou 2.007 eleitores presencialmente entre 30 de setembro e 2 de outubro. A margem de erro informada é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro eleitoral é BR-04756/2026.

Já a Palver, também divulgada neste sábado, apresenta Flávio Bolsonaro numericamente à frente, com 47%, diante de 43% de Lula. A diferença de quatro pontos percentuais permanece dentro da margem de erro informada, de 2,4 pontos.

Na última rodada do Datafolha anterior a esta atualização, divulgada em 1º de outubro, Lula aparecia com 42%, enquanto Flávio registrava 38%.

A comparação mostra que a ordem numérica dos candidatos varia conforme o instituto.

Instituto Lula Flávio Bolsonaro
CNT/MDA — 3/10 43,1% 38%
Palver — 3/10 43% 47%
Datafolha — 1º/10 42% 38%

Percentuais totais de intenção de voto, conforme os cenários divulgados. Os institutos possuem metodologias e amostras próprias.

Os resultados não permitem declarar antecipadamente uma vitória presidencial. Também não autorizam transformar as pesquisas em uma média simples, porque os procedimentos de coleta são distintos.

Confira a atualização dos levantamentos presidenciais divulgados neste sábado.

As candidaturas alternativas não conseguiram romper a concentração dos votos

A campanha presidencial apresentou outros nomes, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e os representantes de partidos menores.

Entretanto, os levantamentos nacionais mais recentes não apresentam qualquer um deles em condições de alcançar os dois primeiros colocados.

Na CNT/MDA, Augusto Cury aparece com 3,2% das intenções de voto, Caiado registra 3% e Renan Santos alcança 1,5%.

Na Palver, Renan aparece com 7%, enquanto Augusto Cury e Caiado registram 1% cada.

As diferenças mostram que existe oscilação na preferência pelas candidaturas alternativas, mas não modificam a configuração central: Lula e Flávio concentram a maior parte das intenções declaradas.

A disputa presidencial também foi marcada pela discussão sobre políticas sociais, gestão econômica, segurança pública, relações internacionais e o papel das instituições.

O presidente procurou defender os resultados de seu terceiro mandato e a continuidade das políticas federais. Flávio apresentou-se como representante do campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e defendeu mudanças na orientação do governo federal.

Caiado e Zema buscaram espaço entre eleitores de direita que defendem alternativas ao PL. Renan e Cury procuraram apresentar propostas próprias diante da polarização.

A dificuldade das candidaturas alternativas em ampliar suas intenções de voto, entretanto, mantém a eleição concentrada nos dois primeiros nomes.

Mapa nacional: quais governos podem ser definidos no primeiro turno?

Enquanto a Presidência permanece apertada, parte das disputas estaduais apresenta candidatos acima ou próximos da maioria absoluta dos votos válidos.

As pesquisas mais recentes identificam situações favoráveis à definição no primeiro turno em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Amapá, entre outros estados.

O cenário não é uniforme.

Em alguns locais, os levantamentos convergem na identificação de um favorito. Em outros, a diferença entre os institutos ou a proximidade dos candidatos impede apontar uma definição segura.

Veja alguns dos principais confrontos estaduais da reta final:

Estado Candidato mais bem posicionado Indicador de referência
São Paulo Tarcísio de Freitas 60% dos válidos — Quaest
Minas Gerais Cleitinho 54% dos válidos — Quaest
Mato Grosso do Sul Eduardo Riedel 66,3% dos válidos — Novo Ibrape
Mato Grosso Otaviano Pivetta 53,7% dos válidos — Veritá
Santa Catarina Jorginho Mello 58,2% na pesquisa Neokemp
Amapá Dr. Furlan 62,8% dos válidos — F5 Pesquisas

Os dados representam levantamentos estaduais independentes. Os percentuais de intenção de voto total e de votos válidos estimados estão identificados separadamente.

O desempenho dos candidatos demonstra que a polarização nacional não impede a formação de maiorias estaduais próprias.

Também revela o peso das administrações locais e das estruturas políticas construídas ao longo dos mandatos.

Sudeste: Tarcísio e Cleitinho ampliam vantagem; Rio depende de disputa judicial e eleitoral

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega ao primeiro turno como favorito à reeleição.

A Quaest divulgada neste sábado apresenta o governador com 60% dos votos válidos estimados, contra 36% de Fernando Haddad (PT). O Datafolha também registra 60% para Tarcísio.

A diferença indica vantagem expressiva do atual governador e possibilidade de encerramento da eleição já neste domingo.

Em Minas Gerais, a configuração também favorece o candidato que liderou os principais levantamentos durante setembro.

Cleitinho Azevedo (Republicanos) aparece com 54% dos votos válidos estimados na última Quaest. Patrus Ananias (PT) registra 23%, seguido por Alexandre Kalil (PDT), com 10%.

O resultado mineiro demonstra ainda uma particularidade: a divisão entre diferentes candidaturas de direita não impediu Cleitinho de construir uma liderança eleitoral própria.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera, mas a definição do primeiro turno envolve uma questão adicional.

A última Quaest apresenta Paes com 49% dos votos válidos estimados no cenário que inclui Anthony Garotinho (Republicanos). Douglas Ruas (PL) aparece com 40%.

Sem Garotinho na simulação, Paes alcança 51%, enquanto Ruas chega a 43%.

A situação jurídica da candidatura do ex-governador passou a influenciar diretamente o cálculo da maioria absoluta. A decisão vigente do TSE determina que seus votos sejam classificados como anulados sub judice, enquanto o recurso sobre o registro permanece pendente de julgamento definitivo.

A liderança de Paes se mantém nos levantamentos, mas o crescimento de Ruas durante setembro reduziu a diferença entre os dois.

Centro-Oeste: continuidade administrativa favorece candidatos, mas há disputas abertas

Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentam um elemento comum: candidatos vinculados às administrações estaduais chegam à reta final na liderança dos principais levantamentos.

Em Goiás, Daniel Vilela (MDB) procura conquistar a continuidade do grupo político de Ronaldo Caiado. Na Paraná Pesquisas divulgada em 28 de setembro, registra 45,6% das intenções de voto, diante de 18,5% de Wilder Morais (PL) e 18,4% de Marconi Perillo (PSDB).

O cenário apresenta liderança isolada de Daniel, mas mantém indefinida a realização de segundo turno.

Em Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP) possui vantagem mais expressiva. A pesquisa Novo Ibrape divulgada neste sábado apresenta o governador com 66,3% dos votos válidos estimados, contra 19,9% de Fábio Trad (PT).

Já em Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos) passou de segundo colocado em parte dos levantamentos de agosto à liderança numérica durante setembro.

O Veritá deste sábado apresenta Pivetta com 53,7% dos votos válidos estimados, diante de 27,1% de Wellington Fagundes (PL).

No Distrito Federal, Celina Leão (PP) lidera a disputa pela reeleição. Pesquisa Instituto França divulgada neste sábado registra 44,75% das intenções de voto para a governadora, contra 21,90% de Leandro Grass (PT).

O conjunto desses resultados demonstra que as eleições locais não reproduzem automaticamente as alianças presidenciais. Lideranças que ocupam campos diferentes no cenário nacional podem compartilhar bases ou estabelecer composições estaduais.

Nordeste concentra algumas das disputas mais apertadas do país

Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas estão entre os estados que exigem maior cautela na identificação de favoritos.

Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) e Jerônimo Rodrigues (PT) chegam à votação tecnicamente empatados.

A Paraná Pesquisas divulgada neste sábado apresenta ACM Neto com 46,4% das intenções de voto e Jerônimo com 44,6%. A diferença de 1,8 ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,7 pontos.

O cenário contrasta com o de São Paulo, onde a vantagem do atual governador aparece de forma mais consistente.

Em Pernambuco, a Quaest divulgada neste sábado coloca Raquel Lyra (PSD) com 52% dos votos válidos estimados, contra 47% de João Campos (PSB).

A diferença é de cinco pontos percentuais, com margem de erro de dois pontos. O resultado apresenta vantagem numérica para a governadora, mas não assegura uma definição no primeiro turno.

No Ceará, Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) mantêm uma disputa ainda mais próxima.

O Datafolha divulgado neste sábado apresenta Elmano com 50% dos votos válidos e Ciro com 47%. Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Em Alagoas, a Real Time Big Data apresenta Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB) separados por três pontos: 49% e 46%, respectivamente.

As quatro disputas demonstram a diversidade das forças políticas no Nordeste. Mesmo em uma região de desempenho historicamente favorável ao presidente Lula, as eleições estaduais apresentam confrontos próprios e alianças que não obedecem integralmente à configuração nacional.

No Maranhão, Eduardo Braide (PSD) aparece à frente de Orleans Brandão (MDB) na Quaest de setembro, com 46% contra 27%.

Em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) procura a reeleição diante de Valmir de Francisquinho (Republicanos). Os levantamentos apresentam diferenças relevantes na dimensão da vantagem, o que recomenda cautela quanto ao resultado final.

Sul: direita lidera nos três estados, mas há diferenças na dimensão das vantagens

No Paraná, Sergio Moro (PL) ocupa a primeira posição nas pesquisas mais recentes para governador.

A Real Time Big Data apresenta Moro com 37%, diante de Sandro Alex (PSD), com 29%, e Requião Filho (PDT), com 24%.

Na Paraná Pesquisas, Moro alcança 46,2%, enquanto Requião Filho registra 23,6% e Sandro Alex aparece com 21,5%.

A diferença entre os levantamentos impede estabelecer de maneira segura quem seria o adversário de Moro em eventual segundo turno.

Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) chega à votação com vantagem expressiva. Pesquisa Neokemp divulgada na quinta-feira (1º) apresenta o governador com 58,2% das intenções de voto.

Já no Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) ampliou sua participação durante setembro e passou a liderar numericamente parte dos levantamentos.

Na Real Time Big Data divulgada em 29 de setembro, Zucco alcança 40%, diante de 35% de Juliana Brizola (PDT).

A disputa gaúcha apresenta ainda uma particularidade administrativa: o debate eleitoral incorporou a reconstrução do estado depois das enchentes de 2024, o financiamento das obras e a organização dos serviços públicos.

A configuração do Sul favorece numericamente candidaturas identificadas com a direita, mas isso não significa que os três estados possuam o mesmo grau de definição eleitoral.

Norte: Tocantins, Pará e Amazonas apresentam cenários distintos

No Tocantins, a pesquisa Real Time Big Data divulgada na sexta-feira (2) apresenta Professora Dorinha (União Brasil) com 44% dos votos válidos estimados para o governo estadual, diante de 39% de Vicentinho Júnior (PSDB).

Os dois aparecem à frente dos demais concorrentes, e a diferença entre eles não assegura uma definição no primeiro turno.

A disputa local possui relevância adicional para a composição do Senado, uma vez que Dorinha ocupa atualmente

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